Da Redação
A Polícia Federal deflagrou uma operação em que são investigados postos de combustível suspeitos de envolvimento com o crime organizado, especialmente com o Primeiro Comando da Capital (PCC), nas regiões de São Paulo e mais sete estados. A ação integra a maior ofensiva contra a facção na história brasileira.
A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e demais forças-tarefa, concluiu busca nos escritórios de postos de combustíveis suspeitos de ter vínculo com o PCC. A operação, que integra a chamada “Carbono Oculto”, entrou em fase de busca e apreensão nesta sexta-feira, envolvendo empresas e indivíduos espalhados em diversas regiões do país.
Os alvos incluem, além dos proprietários dos postos, redes de distribuição, usinas e transportadoras associadas ao setor. Estima-se que cerca de 1.000 estabelecimentos tenham movimentado mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, operando sob a fachada do comércio legítimo.
Entre os investigados estão nomes como Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, apontados como operadores centrais do esquema; Marcelo Dias de Moraes, presidente de instituição de pagamento envolvida; Camila Cristina de Moura Silva, diretora financeira de fintech acusada de bancar operações ilegais; além de contadores vinculados a grandes grupos de postos.
A investigação sugere que as transações ilegítimas foram realizadas por meio de pagamentos via maquininhas e fintechs que funcionavam como bancos paralelos, sistemas de fundos de investimento dedicados à ocultação de patrimônio e mascaramento de operações financeiras. Até 40 fundos foram mapeados como parte da estrutura de lavagem e blindagem patrimonial.
Além disso, houve evidências de ameaças e violência contra proprietários que resistiram ao domínio do esquema. Alguns denunciantes foram pressionados, e houve registro de penalidades físicas caso tentassem disputar valores ou propriedade.
A operação representa um marco no combate à infiltração do crime organizado na economia formal brasileira, atingindo diretamente setores-chave como combustíveis, sistemas financeiros digitais e investimentos legais.


