Da Redação
A política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou o maior índice de aprovação desde o início da série histórica da pesquisa Potências Médias Emergentes, consolidando um momento de forte reconhecimento da diplomacia brasileira justamente em meio ao aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos. O levantamento mostra que 88% dos especialistas em relações internacionais aprovam a condução da política externa brasileira, o melhor resultado já registrado pelo estudo.
O resultado foi divulgado na mesma semana em que Washington realiza audiências públicas para discutir a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, episódio que recolocou a soberania nacional e a atuação diplomática do Itamaraty no centro do debate político.
Prestígio internacional cresce em meio às tensões
A pesquisa revela que, apesar do ambiente internacional marcado por disputas comerciais, rivalidade entre grandes potências e crescente fragmentação da ordem global, a atuação diplomática do Brasil vem sendo percebida como uma das principais fortalezas do governo Lula.
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, a política externa brasileira recuperou características historicamente associadas ao Itamaraty, como o multilateralismo, a busca pelo diálogo, a defesa da solução pacífica de conflitos e a diversificação das parcerias internacionais.
Essa estratégia permitiu ao país ampliar sua presença em fóruns internacionais, fortalecer sua atuação nos BRICS, participar de negociações sobre mudanças climáticas, segurança alimentar, reforma da governança global e cooperação econômica, além de intensificar relações tanto com países desenvolvidos quanto com economias emergentes.
Diplomacia ganha protagonismo
Nos últimos meses, a política externa brasileira passou a ocupar um espaço incomum no debate público.
Além das negociações comerciais com os Estados Unidos, o governo intensificou articulações com a União Europeia, fortaleceu o diálogo com China, Índia e países africanos e assumiu posições de destaque em temas como regulação das plataformas digitais, transição energética, minerais críticos e reforma das instituições multilaterais.
Ao mesmo tempo, o Itamaraty tem buscado preservar uma postura de autonomia diante da crescente polarização entre Washington e Pequim, mantendo relações diplomáticas e comerciais com diferentes polos de poder.
Contraste com o período anterior
A avaliação positiva também evidencia a mudança de percepção em relação aos anos anteriores.
Durante o governo Jair Bolsonaro, diversos analistas apontaram um afastamento da tradição diplomática brasileira, marcado por alinhamento preferencial aos Estados Unidos, tensões com parceiros comerciais importantes e redução da capacidade de articulação internacional do país.
A atual política externa, por outro lado, é vista por especialistas como uma retomada da tradição histórica do Brasil de buscar autonomia estratégica, ampliar parcerias e atuar como interlocutor em diferentes regiões do mundo.
Soberania no centro da agenda
O levantamento ganha relevância justamente quando o Brasil enfrenta pressões comerciais do governo Donald Trump.
Nos últimos dias, integrantes do governo Lula defenderam que a resposta ao tarifaço norte-americano deve ser construída com base na defesa da soberania nacional e na preservação dos interesses econômicos brasileiros, evitando tanto escaladas desnecessárias quanto concessões que comprometam a autonomia do país.
Nesse contexto, a aprovação recorde da política externa fortalece politicamente a estratégia adotada pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério das Relações Exteriores.
Reconhecimento além do governo
Embora a pesquisa avalie a atuação da política externa do atual governo, o resultado também representa um reconhecimento da tradição diplomática construída ao longo de décadas pelo Itamaraty.
Historicamente, a diplomacia brasileira consolidou reputação internacional baseada na negociação, no respeito ao direito internacional, na defesa do multilateralismo e na capacidade de dialogar com diferentes blocos geopolíticos.
Para os especialistas consultados, esse patrimônio institucional voltou a ganhar protagonismo em um cenário internacional cada vez mais marcado por disputas estratégicas, protecionismo e reorganização das cadeias globais de poder.


