Da Redação
Indicador do Banco Central aponta crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por indústria, serviços e agropecuária, reforçando percepção de recuperação econômica sob o governo Lula.
A economia brasileira começou 2026 acelerando acima das expectativas do mercado financeiro. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de “prévia do PIB”, apontou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre do ano, sinalizando retomada mais forte da atividade econômica mesmo em um cenário ainda marcado por juros elevados e instabilidade internacional.
O dado divulgado pelo Banco Central mostra uma aceleração importante em relação ao fim de 2025, quando a economia vinha apresentando crescimento mais moderado. Em março, o indicador avançou 0,8% em relação a fevereiro, acima das projeções de parte do mercado financeiro.
A leitura política do resultado é inevitável.
Depois de meses sob pressão de setores do mercado, críticas sobre inflação e discursos constantes de desaceleração econômica, o governo Lula volta a ganhar argumentos para sustentar a narrativa de que o país entrou novamente numa trajetória de crescimento sustentado.
E talvez exista um detalhe ainda mais importante:
o crescimento ocorre apesar da manutenção de juros extremamente elevados nos últimos meses.
A taxa Selic permaneceu em patamar restritivo durante grande parte do período recente, funcionando como freio sobre crédito, consumo e investimentos. Ainda assim, a atividade econômica mostrou capacidade de reação, especialmente puxada por agropecuária, indústria e serviços.
Segundo os dados do Banco Central, a indústria teve um dos melhores desempenhos do trimestre, com crescimento superior a 1%. A agropecuária também apresentou forte expansão, impulsionada principalmente pela safra recorde de soja e pela recuperação do setor exportador.
Os serviços, que representam a maior fatia da economia brasileira, também seguiram em alta.
Isso ajuda a desmontar parcialmente uma das teses mais repetidas por setores do mercado nos últimos meses: a ideia de que o consumo interno estaria entrando rapidamente em colapso.
Na prática, o que aparece é uma economia mais resiliente do que parte dos analistas previa.
O próprio mercado financeiro começou a revisar projeções nos últimos meses. Enquanto no início de 2025 havia forte expectativa de desaceleração brusca, os números mais recentes mostram que consumo das famílias, exportações e investimentos continuam sustentando parte importante da atividade econômica brasileira.
E existe um fator político central por trás disso:
o papel do Estado.
O governo Lula ampliou programas de crédito, fortaleceu investimentos públicos, retomou políticas industriais e expandiu medidas de estímulo ao consumo popular. Nos bastidores do Ministério da Fazenda, a avaliação é que parte da resiliência econômica atual está diretamente ligada ao efeito dessas políticas sobre mercado de trabalho e renda.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional continua extremamente turbulento.
Conflitos no Oriente Médio, tensões comerciais entre Estados Unidos e China e instabilidade global seguem pressionando cadeias produtivas, preços internacionais e fluxo de investimentos. Mesmo assim, o Brasil aparece relativamente protegido em alguns setores estratégicos, especialmente agropecuária, petróleo e mineração.
Isso ajuda a explicar por que instituições internacionais passaram a rever positivamente algumas projeções sobre a economia brasileira.
O FMI já indicou recentemente que o Brasil voltou a ocupar posição entre as dez maiores economias do mundo em termos nominais, impulsionado pelo crescimento recente do PIB e pela valorização de setores ligados à energia e exportação.
Existe também outro elemento importante:
o impacto político da melhora econômica.
Lula atravessou boa parte de 2025 enfrentando desgaste de popularidade associado principalmente ao custo de vida e à percepção de perda de renda. Agora, com crescimento econômico mais forte, inflação relativamente estabilizada e expansão de programas sociais e crédito popular, o governo começa a reconstruir parte de sua base de apoio social.
Especialmente porque os indicadores econômicos começam a dialogar diretamente com a vida cotidiana da população:
mais emprego,
mais circulação de renda,
maior acesso ao crédito
e recuperação gradual do consumo.
Ainda assim, o cenário permanece cheio de tensões.
O Banco Central e parte do mercado seguem alertando para riscos inflacionários e desaceleração futura caso os juros permaneçam elevados por muito tempo. Há também preocupação com o impacto de crises internacionais sobre exportações brasileiras e preços de commodities.
Mas no curto prazo, o resultado do IBC-Br produz um efeito político claro:
fortalece o discurso de recuperação econômica do governo Lula.
E isso acontece justamente num momento em que a oposição bolsonarista atravessa forte desgaste provocado por investigações da Polícia Federal, crise política interna e escândalos envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Enquanto parte da direita mergulha em operações policiais e crises sucessivas, Lula volta a aparecer associado à retomada econômica.
Na política brasileira, isso costuma fazer enorme diferença.






