Da Redação
O jornalista *Egídio Serpa, em artigo publicado no *Diário do Nordeste, chamou atenção para um novo impasse envolvendo o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), obra considerada estratégica para a segurança hídrica do Nordeste. Segundo o colunista, dificuldades na contratação de energia elétrica para o bombeamento da água podem comprometer o funcionamento do sistema e frustrar expectativas de milhões de nordestinos, especialmente no Ceará.
O alerta surge em um momento em que o estado depende cada vez mais das águas transpostas para garantir o abastecimento humano, a produção agrícola e o desenvolvimento econômico.
Energia é indispensável para levar a água
Diferentemente de rios que correm naturalmente por gravidade, grande parte do Projeto São Francisco depende de um complexo sistema de estações elevatórias.
Essas estruturas utilizam bombas de alta potência para transportar a água por centenas de quilômetros, vencendo diferenças de altitude entre bacias hidrográficas.
Sem fornecimento contínuo de energia elétrica, o sistema simplesmente deixa de operar.
Segundo Egídio Serpa, o contrato de fornecimento de energia utilizado atualmente está próximo do fim, e a contratação de uma nova solução ainda enfrenta indefinições administrativas e regulatórias.
Ceará é um dos principais beneficiários
O Ceará está entre os estados mais dependentes das águas da transposição.
A água chega ao estado por meio do Eixo Norte do projeto, alimentando inicialmente o Rio Salgado, seguindo para o Rio Jaguaribe e, posteriormente, para o Açude Castanhão, principal reservatório cearense.
A partir desse sistema, milhões de pessoas são abastecidas direta ou indiretamente, incluindo moradores da Região Metropolitana de Fortaleza.
Além do consumo humano, a água também é utilizada para irrigação, atividades industriais e abastecimento de diversos municípios do interior.
Obra transformou a segurança hídrica do Nordeste
Idealizado ainda no século XIX e executado nas últimas décadas, o Projeto de Integração do Rio São Francisco representa a maior obra de infraestrutura hídrica da América Latina.
O empreendimento foi concebido para reduzir os impactos das secas prolongadas sobre estados historicamente afetados pela escassez de água, como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Com centenas de quilômetros de canais, túneis, aquedutos, reservatórios e estações de bombeamento, o sistema passou a integrar diferentes bacias hidrográficas do Nordeste.
Sua operação, entretanto, depende de manutenção permanente, investimentos contínuos e elevado consumo de energia elétrica.
Especialistas defendem planejamento permanente
O alerta apresentado por Egídio Serpa reforça um debate recorrente entre especialistas em recursos hídricos: grandes obras não se encerram com a inauguração.
Além da construção, é necessário garantir recursos para operação, manutenção dos equipamentos, modernização tecnológica e segurança energética.
Sem esse planejamento, mesmo estruturas de grande porte podem enfrentar interrupções capazes de comprometer o abastecimento de milhões de pessoas.
Água é questão estratégica
Mais do que uma obra de engenharia, o Projeto São Francisco tornou-se um dos pilares da segurança hídrica nordestina.
Qualquer dificuldade operacional desperta preocupação em estados como o Ceará, onde longos períodos de estiagem fazem da transposição um componente essencial do sistema de abastecimento.
O alerta publicado por Egídio Serpa evidencia que, concluída a etapa de construção, o maior desafio passa a ser assegurar o funcionamento contínuo da infraestrutura, preservando um investimento estratégico para o desenvolvimento econômico e para a qualidade de vida da população nordestina.


