Cinquenta anos de guitarras, garagens e resistência em Fortaleza ganham registro monumental em “Fortaleza Sônica”, livro de George Frizzo
Fortaleza tem história — e barulho — suficientes para encher um tijolo de quase seis décadas de rock. É o que comprova George Frizzo — músico, designer, sociólogo e produtor — no livro “Fortaleza Sônica; 50 anos de rock em Fortaleza”, obra que compila memórias, discos, palcos e personagens da cena local. A reportagem se baseia na entrevista concedida por Frizzo ao Programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas, na TV Atitude Popular.
Logo no início, Frizzo explica de onde veio o impulso para transformar lembranças em documento: a vivência como integrante das bandas Insanity (final dos anos 1980 até 2003) e Seed of Hate (SOH), além de períodos como produtor, roadie e radialista. “Passei um tempo fora e as histórias das bandas não saíam da cabeça… Aí pensei: se for só a minha experiência é pouco; vou juntar o rock de Fortaleza”, contou. O recorte vai dos anos 1960 até 2010 em linha do tempo, e termina com um capítulo que reúne entrevistas feitas por ele na Rádio Órbita, destacando a “renovação” da década de 2010, com nomes como Selvagens à Procura de Lei, Capitão e Projeto Rivera.
O método: deixar as vozes falarem
Frizzo optou por um registro documental, sem jargões acadêmicos nem interpretações sociológicas: “Eu quis manter como era registrado, conversas, deixar que o leitor tire suas reflexões”. O resultado nasce de mais de 200 entrevistas e da perseguição a fontes difíceis: “Nossas memórias estão sendo apagadas… é material que não está em jornal nem na internet”, disse. O período da pandemia acabou facilitando contatos online com músicos que vivem fora da cidade.
Origens, tribos e fricções
As primeiras bandas nascem de músicos de colégios militares e dos bailes que absorviam Jovem Guarda e Beatles; Rataplans, Big Brasas, Faraós e Belgas figuram entre os pioneiros. Na virada para a contracultura urbana, a cena se capilariza em punks e headbangers, tribos que carregavam tensões típicas dos anos 1980: “Os punks acusavam os metaleiros de alienação; os metaleiros diziam que os punks só queriam se drogar e protestar”, recorda. A década de 1970 surge no livro como período marcado pela repressão, com músicos controlando letras e público pressionando por posições políticas.
Três marcos de projeção
Sem hierarquizar, Frizzo aponta três pontos de virada na visibilidade nacional do rock feito aqui:
- O Surto e o estouro carnavalesco de “Cera”, que cravou Fortaleza no mapa;
- Cidadão Instigado, com a obra de Fernando Catatau circulando pelo país;
- Selvagens à Procura de Lei, como símbolo de uma geração 2010 mais “comportada”, mas consistente. Uma cena que nunca parou
Ao ser provocado sobre “respeito” nacional, Frizzo é direto: “Fortaleza sempre teve produção boa e muita movimentação, principalmente no heavy metal”, citando festivais, casas de shows e até uma revista dedicada ao rock pesado. A dificuldade, diz, é de acesso e curiosidade: parte do público prioriza covers e descobre a música autoral só depois que estoura. Seu objetivo com o livro é dar referência histórica para que o leitor “sinta orgulho” do que foi feito — e do que ainda se faz.
Um livro para circular
Finalizado entre 2023 e 2024, o título foi lançado com apoio da Lei Paulo Gustavo, via Secretaria de Cultura. Frizzo divulgou que a compra pode ser feita no Instagram @fortaleza.sonica ou na loja High Five (Aldeota). Ao fim, deixou um desejo que é também um manifesto: “Que o rock nunca morra”.
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