Da Redação
Em reação ao ativamento do mecanismo de “snapback” por parte de Reino Unido, França e Alemanha, que pode restaurar sanções da ONU contra o programa nuclear iraniano, o governo russo classificou a medida como manipulação e fator de instabilidade regional.
A Rússia reagiu com veemência à decisão de Reino Unido, França e Alemanha — conhecidas como os países E3 — de ativar o “snapback”, mecanismo previsto pelo acordo nuclear de 2015 que permite reimpor sanções da ONU contra o Irã. Moscou considerou a medida não apenas legalmente questionável, mas também um movimento perigoso com potencial de desestabilização regional.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, a iniciativa europeia representa um uso indevido da resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU. O governo russo acusou os países europeus e os Estados Unidos de serem os verdadeiros responsáveis pelo colapso do acordo, afirmando que a manobra gera clima de tensão e dificulta negociações diplomáticas.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério, ressaltou que reintroduzir sanções coloca em risco os esforços de mediação e poderá descarrilar qualquer possibilidade de diálogo com Teerã. Ela o descreveu como um “fator desestabilizador sério”, capaz de minar a busca por uma solução pacífica para o programa nuclear iraniano.
A Rússia, que neste ano firmou uma parceria estratégica com o Irã, também condenou os ataques recentes contra instalações nucleares iranianas, realizados por Israel e Estados Unidos, considerando-os agressões inaceitáveis. A reativação das sanções agravaria ainda mais as tensões, segundo Moscou.
A pressão diplomática internacional se intensifica enquanto o prazo para manutenção temporária do regime de isenção de sanções expira em 18 de outubro. A Rússia apresentou proposta para estender o período de adiamento por seis meses, mas enfrenta resistência na ONU. O Irã, por sua vez, continua negando que tenha intenções de desenvolver armas nucleares e enfatiza seu compromisso com o diálogo e a soberania.


