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Israel lidera mortes de jornalistas em 2025, aponta relatório

Da Redação

Relatório internacional revela número recorde de jornalistas mortos no mundo em 2025, com a maioria das vítimas associadas a ações militares israelenses, especialmente na Faixa de Gaza, reacendendo denúncias sobre ataques à imprensa em zonas de guerra.

Um novo relatório internacional sobre liberdade de imprensa acendeu um alerta global ao revelar que 2025 foi o ano mais letal já registrado para jornalistas em atividade. Segundo dados do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 129 profissionais de mídia foram mortos no mundo, sendo aproximadamente dois terços dessas mortes atribuídas a ações militares de Israel, principalmente no contexto da guerra em Gaza.

O número representa não apenas um recorde histórico, mas também a consolidação de uma tendência preocupante. Pelo segundo ano consecutivo, as mortes de jornalistas atingem níveis sem precedentes, com a maioria ocorrendo em zonas de conflito. Mais de 100 dos casos registrados em 2025 estão diretamente ligados a guerras e operações militares, o que evidencia o risco crescente enfrentado por profissionais da imprensa em contextos de cobertura de guerra.

A Faixa de Gaza aparece como o epicentro dessa crise. De acordo com o relatório, 86 jornalistas foram mortos por ações militares israelenses ao longo do ano, a grande maioria palestinos que atuavam na cobertura local do conflito. A dificuldade de acesso independente à região, somada às restrições impostas à imprensa internacional, torna ainda mais complexa a verificação completa dos números, o que leva especialistas a considerar que o total real pode ser ainda maior.

Outro dado que chama atenção é o volume de mortes classificadas como “intencionais”. O CPJ aponta que 81% dos assassinatos deliberados de jornalistas registrados em 2025 foram atribuídos a ações israelenses, o que levanta questionamentos graves sobre o respeito às normas internacionais de proteção à imprensa em zonas de conflito.

Casos específicos reforçam esse cenário. Investigações independentes já haviam apontado episódios em que jornalistas foram atingidos mesmo estando identificados como imprensa, incluindo ataques a hospitais, centros de mídia e áreas conhecidas por abrigar equipes jornalísticas. Em alguns desses casos, organizações internacionais e especialistas em direito humanitário chegaram a levantar a possibilidade de violações graves do direito internacional.

A resposta do governo israelense, por sua vez, tem sido consistente: autoridades afirmam que suas forças armadas não têm como alvo jornalistas e que operações militares visam exclusivamente combatentes. Em diferentes ocasiões, o país também alegou que alguns profissionais mortos teriam vínculos com grupos armados, acusações que foram contestadas por organizações de imprensa e direitos humanos por falta de provas verificáveis.

O relatório também destaca um elemento estrutural: ataques contra jornalistas funcionam como um indicador antecipado de deterioração democrática e de violação de outras liberdades fundamentais. A morte de profissionais da imprensa não apenas silencia vozes individuais, mas compromete a capacidade da sociedade internacional de acessar informações independentes sobre conflitos.

Além de Gaza, outros países também registraram mortes de jornalistas em 2025, incluindo Sudão, México, Ucrânia e Filipinas. No entanto, nenhum deles apresentou números comparáveis aos registrados no contexto do conflito israelense-palestino, reforçando a centralidade da região no cenário global de risco à imprensa.

O cenário descrito pelo relatório aponta para uma transformação mais profunda: a crescente vulnerabilidade da atividade jornalística em um mundo marcado por guerras assimétricas, disputas narrativas e controle informacional. Em conflitos contemporâneos, a informação se tornou um campo de batalha estratégico, e jornalistas passaram a ocupar uma posição cada vez mais exposta — não apenas como observadores, mas como alvos potenciais.

Diante desse quadro, organizações internacionais voltam a pressionar por investigações independentes, responsabilização dos envolvidos e mecanismos mais robustos de proteção à imprensa. O desafio, no entanto, permanece: garantir a segurança de quem reporta a guerra em um contexto em que a própria produção da verdade se tornou parte central do conflito.