Vereadora e professora Adriana Almeida defende políticas para mulheres, denuncia massacres e projeta 2026 a partir de Fortaleza
Fortaleza foi o ponto de partida para uma conversa que cruzou segurança pública, participação das mulheres e rumos eleitorais do país. Em 30 de outubro, no programa Democracia no Ar, a vereadora e professora Adriana Almeida concedeu entrevista conduzida excepcionalmente por Reynaldo Aragon. Este texto se baseia na conversa exibida pela TV Atitude Popular e retransmitida pela Rede Cearense de Comunicação Popular.
Logo no início, Adriana situou sua trajetória: professora da rede municipal e estadual, mestre em ensino de ciências e matemática, segunda mais votada da Federação PT-PV-PCdoB na capital em 2024 e mulher mais votada da coligação. “Sou a vereadora professora Adriana Almeida… estou no meu primeiro mandato ‘e meio’, com atuação forte na educação e na periferia”, resumiu. Na Câmara, ela preside a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia e exerce a Procuradoria Especial da Mulher.
Procuradoria da Mulher: acolhimento, rede e prevenção
A parlamentar apresentou a virada institucional na Casa: “Desde fevereiro estou à frente da Procuradoria da Mulher; agora, por lei, a procuradora precisa ser uma parlamentar”. A partir daí, disse, a equipe intensificou ações itinerantes para apresentar os serviços e acolher demandantes. “Visitamos terminais de ônibus, escolas e órgãos públicos com orientação jurídica, psicológica e assistência social. Quando as mulheres entendem que existe uma rede de apoio, muitas criam coragem para denunciar.”
No Outubro Rosa, a Procuradoria levou sobreviventes de câncer de mama a jogos de Ceará e Fortaleza, com mensagens no telão e mobilização nas arquibancadas: “Informação e diagnóstico precoce salvam vidas; a chance de cura chega a 95%”, afirmou. Para além do acolhimento, Adriana defendeu institucionalidade e orçamento: “Fortaleza criou a Secretaria das Mulheres. Política pública precisa de estrutura e de verba para acontecer.”
Entre as medidas recém-aprovadas, destacou a lei de sua autoria que assegura matrícula e transferência escolar para filhos de mulheres vítimas de violência. “Parece detalhe, mas não é. Muitas não conseguem sair do ciclo de violência porque não têm como transferir os filhos. Eu fui diretora de escola e sei o que isso significa.”
Mulheres na linha de frente da dor e da organização
Ao comentar o massacre no Rio de Janeiro, Adriana ligou o tema à vida concreta nas periferias: “As mulheres estão na ponta do sofrimento e da resistência. Foram mães, avós e tias que carregaram corpos e buscaram justiça.” Ela recordou o Caso Curió, em Fortaleza, quando mães organizaram a busca por responsabilização após execuções no bairro: “É a mesma imagem do Brasil real.”
Por isso, reforçou o chamado do Movimento Negro Unificado e da Coalizão Negra para o ato na Praça da Gentilândia. “É preciso repudiar o derramamento de sangue e defender uma política de segurança que não seja licença para matar.”
Fortaleza como referência e o xadrez de 2026
Questionada sobre 2026, Adriana misturou alerta e confiança: “A eleição de 2026 exige organização. A gente não pode baixar a guarda.” Para ela, o Nordeste “garantiu a democracia” e Fortaleza “é uma cidade de luta”, mas a extrema direita segue mobilizada. A estratégia, apontou, é consolidar governo federal e estadual, ampliar bancadas progressistas e impedir retrocessos, como a reforma administrativa: “Não dá para naturalizar o desmonte do Estado.”
A vereadora também criticou o reposicionamento de Ciro Gomes no Ceará: “Ele se aliou ao que há de pior aqui, à extrema direita. Não é alternativa.” E lembrou agressões verbais contra mulheres em cargos públicos: “Baixíssimo nível. Não contribui com nada.”
A síntese
O fio que percorre a entrevista é a tradução da política em serviços concretos. A Procuradoria da Mulher que vai aos terminais, a lei que viabiliza a transferência escolar, a secretaria com orçamento próprio e a convocação para as ruas formam o mesmo enredo. “Proteger as mulheres é garantir futuro. E futuro se constrói com presença do Estado, participação popular e educação”, concluiu.
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