Professor Roberto Cardoso analisa no Democracia no Ar a disputa interna do bolsonarismo, o desgaste de Nikolas Ferreira e os riscos de reorganização da direita para 2026
As movimentações recentes da direita brasileira e a disputa por protagonismo dentro do campo conservador foram tema do programa Democracia no Ar, exibido pela TV Atitude Popular e apresentado por Sara Goes. A edição recebeu o professor Roberto Cardoso, criador do canal Pensando Alto, que analisou o crescimento político do senador Flávio Bolsonaro e as dificuldades enfrentadas por Nikolas Ferreira para manter a centralidade que conquistou nas redes sociais nos últimos anos.
Durante a entrevista, Cardoso avaliou que o fortalecimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não é um fenômeno inesperado dentro da dinâmica política da direita brasileira. Para ele, a ausência de lideranças com base eleitoral própria acabou abrindo espaço para que Flávio se consolidasse como o nome mais natural do bolsonarismo.
“Flávio vai aglutinar os votos do pai e se tornar o candidato viável da direita”, afirmou.
Segundo o analista, a direita brasileira enfrenta um problema estrutural: a dificuldade de produzir lideranças nacionais fora da figura do ex-presidente. Nesse contexto, a transferência de capital político dentro da própria família Bolsonaro se torna uma alternativa previsível.
Herança política do bolsonarismo
Cardoso destacou que muitos nomes frequentemente citados como possíveis candidatos conservadores não possuem base eleitoral própria suficiente para disputar uma eleição presidencial. Ele citou exemplos de governadores e lideranças regionais que dependem fortemente do bolsonarismo para se manter politicamente relevantes.
Para o professor, Jair Bolsonaro percebeu cedo essa realidade e passou a investir em nomes ligados diretamente à sua família. Dessa forma, a candidatura de Flávio surge como um movimento estratégico para preservar o poder político do grupo.
“Se o único que tem votos é o Bolsonaro, por que ele elegeria alguém de fora da família? Se existe a possibilidade de transferir esse capital político, é natural que ele prefira alguém de dentro”, explicou.
Cardoso também observou que parte da esquerda cometeu um erro estratégico ao subestimar a viabilidade eleitoral do senador.
“Durante muito tempo as pessoas acharam que Flávio seria o candidato mais fácil de derrotar e deixaram ele correr sozinho. Ele está viajando, articulando e crescendo nas pesquisas sem sofrer ataques mais duros”, afirmou.
Antipetismo ainda mobiliza eleitores
Na avaliação do entrevistado, o antipetismo continua sendo um elemento central na política brasileira e tende a mobilizar uma parcela significativa do eleitorado.
Ele lembrou que cada vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também alimenta ressentimentos em setores da direita, o que pode tornar a disputa de 2026 ainda mais polarizada.
“Cada vitória aumenta o rancor, aumenta o ressentimento e aumenta o ódio. Muita gente pensa: ‘não vamos permitir outra derrota para o Lula’. Isso tende a tornar a próxima eleição muito dura”, analisou.
Apesar disso, Cardoso acredita que o presidente ainda mantém vantagens importantes, como o controle da máquina administrativa e uma base social consolidada. Mesmo assim, ele alertou que o cenário eleitoral não deve ser subestimado.
“Essa eleição vai ser muito difícil. Não dá para achar que será uma caminhada tranquila”, disse.
Nikolas Ferreira perde protagonismo
Durante o debate, o professor também comentou o papel do deputado Nikolas Ferreira dentro da direita brasileira. Embora ainda seja uma figura influente nas redes sociais, Cardoso avalia que o parlamentar enfrenta um momento de redefinição política.
Segundo ele, Nikolas tenta construir uma liderança própria dentro do bolsonarismo, mas ainda enfrenta limites institucionais e eleitorais.
O deputado, por exemplo, não possui idade mínima para disputar a Presidência da República nas próximas eleições, o que restringe sua atuação a uma estratégia de longo prazo.
Mesmo assim, Cardoso acredita que Nikolas segue sendo uma figura relevante no campo conservador, especialmente entre o público mais jovem e nas comunidades religiosas.
“Ele é jovem, tem forte presença digital e domina muito bem a linguagem das igrejas evangélicas. Isso o torna uma liderança com potencial de crescimento”, avaliou.
Disputas internas no campo conservador
Outro ponto abordado na entrevista foi a disputa interna por espaço dentro do bolsonarismo. Cardoso observou que diferentes lideranças tentam ocupar posições estratégicas no movimento, o que gera tensões e rivalidades.
Segundo ele, figuras como Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira também tentam ampliar seu protagonismo político, o que cria um cenário de competição dentro do próprio campo conservador.
Esse processo de reorganização pode redefinir a estrutura da direita brasileira nos próximos anos.
Para o professor, o bolsonarismo deixou de ser apenas um movimento personalista e passou a funcionar como uma corrente política que busca novas lideranças capazes de manter sua base mobilizada.
Desafios para o campo progressista
Ao longo da entrevista, Cardoso também destacou que o campo progressista precisará ampliar sua capacidade de diálogo com setores sociais que tradicionalmente não fazem parte de sua base eleitoral.
Ele citou especialmente o eleitorado evangélico e os grandes colégios eleitorais, como o estado de São Paulo, como espaços decisivos para o resultado das próximas eleições.
“Não dá para falar apenas para quem já concorda com a gente. É preciso disputar votos em todos os lugares”, afirmou.
Para o analista, o resultado da eleição presidencial dependerá justamente da capacidade dos candidatos de ampliar suas bases além dos núcleos tradicionais de apoio.
Reorganização da direita
O debate concluiu que a direita brasileira passa por um processo de reorganização política que envolve disputas internas, novas estratégias de comunicação e reposicionamentos dentro do bolsonarismo.
Nesse cenário, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas aparece como um dos sinais de que o movimento busca consolidar uma nova liderança capaz de herdar o capital político do ex-presidente.
Ao mesmo tempo, figuras como Nikolas Ferreira tentam se posicionar para ocupar espaços estratégicos dentro dessa nova configuração.
Para Roberto Cardoso, essas transformações indicam que o campo conservador segue ativo e competitivo no cenário político brasileiro.
“Vai ser uma eleição extremamente disputada. Quem achar que essa disputa está resolvida pode estar cometendo um erro”, concluiu.
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