Atitude Popular

“Acabou o tempo do Lulinha paz e amor”

Em entrevista à Sara Goes no programa Democracia no Ar, o economista Fábio Sobral afirma que o governo precisa enfrentar o Congresso e os setores financeiros que sabotam o país, após a Câmara livrar bancos, casas de aposta e bilionários de pagarem R$ 27 bilhões em impostos

A edição do dia 16 de outubro de 2025 do programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular, trouxe uma análise contundente sobre o impasse político e fiscal que se instalou após a Câmara dos Deputados deixar de votar a medida provisória que previa a taxação de bancos, casas de aposta e bilionários, a chamada Taxação BBB. O tema foi debatido pela apresentadora Sara Goes e o economista Fábio Sobral, professor da Universidade Federal do Ceará, que classificou o episódio como um reflexo da conivência entre o Congresso e o capital financeiro.

“Acabou o tempo do Lulinha paz e amor. Ou o governo enfrenta esses setores, ou o país vai se arrebentar”, alertou Sobral, durante o programa transmitido ao vivo.

A medida, que poderia gerar R$ 27 bilhões em arrecadação, foi retirada de pauta após manobras parlamentares lideradas por figuras do Centrão e da extrema direita, provocando forte reação no governo e em sua base social.

Um Congresso refém dos poderosos

Sobral destacou que o Congresso Nacional age hoje como um instrumento de proteção dos mais ricos e de sabotagem das políticas públicas. Para o economista, a não votação da medida provisória que taxaria bancos e apostas não é um fato isolado, mas parte de um processo contínuo de desmonte da justiça fiscal no Brasil.

“Eles não representam o povo. Representam quem paga suas campanhas. A população só é lembrada quando vai às ruas — e foi isso que obrigou o recuo em pautas como a PEC da Blindagem e o projeto que criminalizava mulheres vítimas de estupro”, afirmou.

Sobral também ressaltou o papel da pressão popular e das redes sociais no enfraquecimento do Congresso:

“Há uma nova militância digital. O povo descobriu que pode pressionar deputados e desmoralizar políticos oportunistas. Isso mudou o jogo.”

Lula reage e aponta o esgotamento do “baixo nível” político

Durante o programa, foi reproduzido o trecho do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento do Dia dos Professores, no Rio de Janeiro, em que o petista reagiu publicamente à postura de parlamentares como Hugo Mota, principal articulador da derrota da taxação. O deputado, presente no evento, foi recebido com vaias estrondosas.

“A gente nunca viu um Congresso com um nível tão baixo”, disse Lula, olhando diretamente para Mota, em um gesto interpretado como um marco de ruptura na relação do Executivo com o Legislativo.

Sobral avaliou a cena como um divisor de águas:

“Foi um recado claro. Acabou o tempo de conciliação com quem sabota o país. O governo precisa se libertar do centrão e governar com o povo.”

A hora da ruptura

O economista defendeu que a recente “limpeza” promovida pela presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, com a exoneração de indicados do PL e de partidos que votaram contra o governo, é um passo necessário.

“Política não pode ser feita com perdão permanente às traições. É inconcebível manter no governo quem comemora derrotas do próprio governo”, afirmou.

Sobral lembrou que o PL — legenda de Jair Bolsonaro — ocupa cargos estratégicos desde o início da gestão, e que o rompimento com essa influência é indispensável.

“O PL nunca votou com o governo. Ter um partido de extrema direita na base é uma contradição insustentável. O tempo da frente ampla acabou.”

O peso dos juros e o falso equilíbrio fiscal

Ao discutir os impactos da não aprovação da Taxação BBB, Fábio Sobral criticou a forma como o discurso do “equilíbrio fiscal” tem sido usado para encobrir a verdadeira sangria das contas públicas: o pagamento de juros aos rentistas.

“O déficit primário gira em torno de R$ 70 bilhões, mas o déficit nominal, que inclui os juros, chega a R$ 940 bilhões. Isso significa que R$ 870 bilhões foram pagos em juros ao sistema financeiro. Isso é o verdadeiro desequilíbrio fiscal do Brasil.”

Ele explicou que, se a taxa básica de juros fosse reduzida para o nível da inflação — em torno de 4% — o país economizaria centenas de bilhões de reais, recursos que poderiam ser investidos em saúde, educação e infraestrutura.

“A maior irresponsabilidade fiscal do Brasil é continuar transferindo riqueza pública para os especuladores. Muitos deles lavam dinheiro do tráfico. Isso é o que precisa ser enfrentado.”

“O golpe não acabou”

Fábio Sobral também alertou para o avanço silencioso de setores golpistas dentro do Legislativo, que estariam buscando destituir ministros do Supremo Tribunal Federal nas próximas eleições.

“O golpe não acabou. Ele mudou de forma. Agora é um golpe institucional, por dentro das instituições. Se o governo não enfrentar, vai pagar caro.”

Para ele, a radicalização do discurso democrático é inevitável: “Certos setores da direita precisam ser eliminados juridicamente. Não se negocia com fascistas. O país precisa ser colocado de volta dentro da legalidade.”

A esquerda que precisa se reencontrar

O economista encerrou o programa defendendo a construção de uma frente de esquerda sólida e combativa, criticando o que chamou de “estalinismo invertido” dentro do campo progressista.

“A esquerda é tigrão com ela mesma e tiochuca com a direita. Precisamos parar de ver o companheiro como inimigo e lembrar que o inimigo real é o capital financeiro.”

Sobral concluiu que o momento exige coragem e clareza:

“O presidente Lula sabe o que precisa fazer. O tempo da paciência acabou. Agora é hora de disputar o país, de cabeça erguida e sem medo dos ricos.”

🎥 Assista à entrevista completa no YouTube

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