Advogada e escritora Eugênia Cavalcanti defende mobilização feminina nas eleições de 2026 e cobra maior responsabilidade dos partidos para ampliar a presença de mulheres nos espaços de poder
A participação feminina nas eleições de 2026 pode ser decisiva para redefinir o equilíbrio de poder na política brasileira. Esse foi o principal tema discutido no programa Café com Democracia, da TV Atitude Popular, apresentado por Luiz Regadas na sexta-feira (13). A convidada da edição foi a advogada e escritora Eugênia Cavalcanti, que analisou o peso do voto feminino e os obstáculos estruturais que ainda limitam a presença das mulheres nos cargos eletivos.
Durante a entrevista, Cavalcanti destacou que as mulheres já representam a maioria do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas nos espaços institucionais. Para ela, o ano eleitoral representa uma oportunidade histórica de alterar esse cenário.
“Acorda, Brasil, acorda, porque nós temos o poder em nossas mãos e vamos fazer com que esse país garanta ser cada dia mais democrático”, afirmou.
Maioria no eleitorado, minoria no poder
Segundo a advogada, as mulheres representam cerca de 52% da população brasileira e também do eleitorado nacional. No entanto, essa maioria ainda não se reflete na ocupação de cargos políticos. Ela lembrou que, apesar de um número crescente de candidaturas femininas, apenas uma parcela reduzida consegue se eleger.
“Hoje, cerca de 33% das candidaturas são de mulheres, mas apenas 15% delas são eleitas. Quando falamos do Executivo e do Legislativo, essa presença não passa de cerca de 18%”, explicou.
O contraste também aparece nos governos estaduais. Cavalcanti observou que, entre os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, apenas duas mulheres ocupam atualmente o cargo de governadora, um número que demonstra o tamanho da desigualdade de representação política.
Para ela, essa discrepância revela que a democracia brasileira ainda está longe de refletir a composição real da sociedade.
“Se nós mulheres somos a maioria no país, nós temos que ter essa representação dentro dos espaços de poder. E isso não tem acontecido”, afirmou.
Partidos políticos no centro do problema
Na avaliação da entrevistada, os principais responsáveis pela baixa presença feminina na política são os próprios partidos políticos. Embora a legislação eleitoral estabeleça cotas de gênero para candidaturas, muitas legendas não investem de forma efetiva na formação e no financiamento de lideranças femininas.
“Os partidos precisam criar candidatas, investir na formação de líderes femininas para que essas mulheres possam disputar com o mesmo peso. Não é justo cumprir apenas uma cota formal”, disse.
Ela também criticou as desigualdades na distribuição de recursos de campanha. Segundo Cavalcanti, muitas mulheres recebem menos financiamento eleitoral do que seus colegas homens, o que compromete a competitividade das candidaturas.
“Como uma mulher vai disputar em igualdade de condições se recebe menos recursos para fazer campanha?”, questionou.
Educação e consciência política
Outro fator destacado por Eugênia Cavalcanti foi o papel da educação e da conscientização política na formação do voto feminino. Ela lembrou que as mulheres brasileiras apresentam, em média, níveis de escolaridade superiores aos dos homens, o que pode influenciar a construção de uma participação política mais ativa.
No entanto, ela ressaltou que o acesso ao conhecimento político deve alcançar também mulheres que não tiveram oportunidades formais de estudo.
“Quando falamos em escolaridade, não falamos apenas de diploma, mas da capacidade de argumentar, de pensar propostas e de se posicionar. É isso que fortalece a participação política”, explicou.
A entrevistada também destacou a importância de ampliar a representação de diferentes grupos sociais dentro da política, incluindo mulheres negras e mulheres idosas, que compõem parcelas significativas da população.
Redes sociais, rádio e mobilização popular
Para Cavalcanti, a mudança no cenário político depende de mobilização social permanente. Ela defende o uso combinado das redes sociais, da comunicação comunitária e do diálogo direto com a população como ferramentas para estimular a participação das mulheres.
“Grandes campanhas nas redes sociais são fundamentais, mas a rádio ainda tem um papel enorme, porque chega a muitas mulheres que não tiveram acesso à educação formal”, afirmou.
A advogada também incentivou uma postura ativa das eleitoras na cobrança por representatividade.
“Se você analisar dois candidatos com a mesma competência, um homem e uma mulher, vote na mulher. Precisamos garantir que nossa maioria também exista nos espaços de decisão.”
Política como espaço de cuidado coletivo
Durante a conversa, Cavalcanti argumentou que a presença feminina pode ampliar a atenção a temas sociais frequentemente negligenciados na agenda pública, como saúde, educação, combate à violência e políticas de cuidado.
Segundo ela, a experiência histórica das mulheres na organização comunitária e nos movimentos sociais pode contribuir para uma política mais sensível às demandas da população.
“A luta da mulher na política não é pelo poder pelo poder, mas pelo poder como serviço. É contribuir, cuidar e melhorar a vida coletiva”, afirmou.
Ao final da entrevista, a convidada fez um apelo para que as eleitoras assumam protagonismo nas eleições de 2026.
“Se tivermos que escolher entre dois candidatos com a mesma competência, escolham mulheres. Nós precisamos ocupar pelo menos 50% dos espaços de poder do país.”
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