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Aprovação de Lula cai a 46,6% e desaprovação supera maioria

Da Redação

Nova pesquisa Atlas/Bloomberg aponta queda na aprovação do presidente Lula e consolidação de um cenário de maior desgaste político, com desaprovação acima de 50% e impacto direto no ambiente eleitoral de 2026.

A mais recente pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em fevereiro de 2026, revela um movimento importante no cenário político brasileiro: a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu para 46,6%, enquanto a desaprovação atingiu 51,5%, configurando um quadro de maioria negativa em relação ao governo.

O levantamento indica uma tendência de desgaste gradual. Em comparação com a rodada anterior, a aprovação recuou 2,1 pontos percentuais, enquanto a desaprovação subiu 0,8 ponto, evidenciando uma erosão consistente do apoio ao presidente.

A avaliação qualitativa do governo reforça esse cenário. Apenas 42,7% dos entrevistados classificam a gestão como ótima ou boa, enquanto 48,4% a consideram ruim ou péssima. Já 8,9% avaliam o governo como regular, indicando uma migração de parte do eleitorado para posições intermediárias ou críticas.

Os recortes demográficos ajudam a entender a dinâmica desse movimento. A aprovação é mais forte entre idosos, pessoas de maior renda e grupos não religiosos, enquanto a desaprovação se concentra entre evangélicos, moradores do Centro-Oeste e adultos jovens. Esse padrão revela uma fragmentação do apoio político, com perda de tração em segmentos estratégicos do eleitorado.

A pesquisa foi realizada com 4.986 entrevistados entre os dias 19 e 24 de fevereiro de 2026, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Esse resultado não surge isolado. Levantamentos anteriores já indicavam uma tendência de equilíbrio ou leve vantagem da desaprovação sobre a aprovação, mostrando que o governo entrou em 2026 em um cenário mais desafiador do que no início do mandato.

O impacto político dessa mudança é direto. A pesquisa também aponta redução da vantagem de Lula em cenários eleitorais para 2026, especialmente frente a nomes ligados ao bolsonarismo, como Flávio Bolsonaro, com quem o presidente aparece em disputa mais apertada do que em meses anteriores.

Do ponto de vista estrutural, o dado revela um tensionamento típico de governos em meio de ciclo: aumento da cobrança social, desgaste natural do exercício do poder e impacto de fatores econômicos na percepção pública.

Mas há um elemento adicional no caso brasileiro contemporâneo. A disputa política ocorre em um ambiente profundamente marcado por guerra informacional, polarização extrema e disputa narrativa permanente nas plataformas digitais. Nesse contexto, oscilações de poucos pontos percentuais ganham peso estratégico elevado, especialmente às vésperas de um ciclo eleitoral.

A queda na aprovação não significa, por si só, perda de competitividade eleitoral. Lula segue liderando ou disputando de forma competitiva em diversos cenários. No entanto, o dado acende um alerta dentro do campo governista: a necessidade de recompor base social, melhorar percepção econômica e fortalecer comunicação política em um ambiente adverso.

O cenário desenhado pela pesquisa Atlas/Bloomberg aponta, portanto, para uma eleição de 2026 mais equilibrada e disputada do que se imaginava anteriormente. Mais do que números isolados, os dados revelam uma tendência: o capital político do governo segue relevante, mas já não é suficiente para garantir vantagem confortável.

A disputa que se desenha é de alta intensidade — e será definida não apenas por programas de governo, mas pela capacidade de cada campo político de disputar narrativa, mobilizar bases sociais e responder às transformações econômicas e informacionais em curso no país.