Militão Queiroz, que marcou o movimento #EleNão com uma das imagens mais emblemáticas das redes, agora dá forma visual à campanha por um Brasil soberano e um Congresso Amigo do Povo
Da Redação
A Atitude Popular lança uma campanha nacional em defesa da soberania brasileira e por um Congresso comprometido com os interesses populares. A iniciativa, que já começa a mobilizar movimentos sociais e entidades em diferentes regiões do país, tem identidade visual assinada por Militão Queiroz, artista cearense que se tornou conhecido nacionalmente durante o movimento #EleNão.
O manifesto que orienta a campanha já foi elaborado por um grupo de intelectuais do Ceará, que vem se dedicando à construção de propostas capazes de influenciar o processo eleitoral de 2026. O documento articula dois eixos centrais: a defesa da soberania nacional e a necessidade de eleger um Congresso Amigo do Povo.
A escolha de Militão para a criação visual da campanha não é casual. Sua trajetória está diretamente ligada à construção de símbolos políticos de grande alcance nas redes sociais. Desde 2018, quando sua arte se tornou uma das imagens mais difundidas do movimento #EleNão, o artista vem se consolidando como referência no design ativista brasileiro, com peças que combinam comunicação direta, impacto visual e grande capacidade de circulação.

Nos últimos anos, sua produção tem se voltado para críticas à atuação do Congresso Nacional e à baixa qualidade da representação política, ao mesmo tempo em que reafirma pautas estruturantes como a defesa do Sistema Único de Saúde, da educação pública e da cultura.
A campanha é lançada em um contexto de tensões internacionais e disputas sobre os rumos do país. O Brasil já foi ameaçado em sua soberania com a chantagem do tarifaço de Donald Trump, em uma tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em paralelo, aliados do bolsonarismo chegaram a oferecer recursos estratégicos nacionais, como terras raras, a interesses estrangeiros, em movimento que gerou forte reação política.
No plano interno, cresce a crítica à atual composição do Congresso Nacional. Há uma percepção consolidada de que a maioria parlamentar atua contra os interesses populares, seja ao resistir a pautas como o fim da escala 6×1, legislar em causa própria ou concentrar recursos por meio das chamadas emendas PIX.
Diante desse cenário, a campanha propõe uma intervenção direta no processo eleitoral, convocando a sociedade a eleger, em cada estado, representantes comprometidos com um projeto de país soberano, com justiça social e responsabilidade pública.
Para sustentar essa iniciativa e garantir a continuidade da comunicação popular independente, a Atitude Popular também está promovendo uma rifa solidária. A ação busca mobilizar apoiadores em todo o país e fortalecer financeiramente o projeto, reafirmando o compromisso com uma mídia livre, popular e comprometida com o povo. Mais informações podem ser acessadas em: https://atitudepopular.com.br/rifa-solidaria-para-salvar-a-atitude-popular/
A mobilização também defende a responsabilização de agentes envolvidos em ataques à democracia e em crimes financeiros, incluindo esquemas que atingem aposentados e desviam recursos públicos.
A Atitude Popular convida movimentos sociais, entidades e cidadãos a se somarem à campanha, que pretende disputar não apenas votos, mas o próprio sentido do futuro político do Brasil.

Sobre o artista
Há artistas que seguem tendências. Outros ajudam a criá-las. Militão Queiroz, estudante de letras no interior do Ceará que se tornou conhecido nacionalmente durante o movimento #EleNão, pertence à segunda categoria.
Foi dele a imagem que ajudou a dar forma visual a uma das maiores mobilizações políticas recentes no Brasil. Um letreiro simples, colorido, atravessando o céu como um rastro de arco-íris. Nada de softwares sofisticados, nada de agência. Uma hora de trabalho, um programa gratuito e um senso estético que compreendia, intuitivamente, o tempo histórico.
Essa dimensão não passou despercebida pela academia. Em 2024, um trabalho de conclusão de curso em Design da Universidade Federal da Paraíba analisou o design gráfico ativista brasileiro e apontou a peça de Militão como um marco da virada digital das disputas políticas. A partir de 2018, o cartaz deixa de ser parede e passa a ser tela. O designer deixa de ser intermediário e passa a ser agente direto da disputa simbólica.
Mas Militão não ficou preso ao momento da viralização. Ao contrário, seguiu produzindo. E talvez seja aí que reside sua importância mais profunda.
Sua estética permanece fiel a um princípio fundamental do design ativista contemporâneo. Comunicação direta, impacto imediato, forte carga simbólica e facilidade de circulação nas redes. Não é arte para galeria. É arte para disputa.
Há algo de profundamente brasileiro nisso. Militão opera fora dos circuitos tradicionais de poder, sem chancela institucional, mas com alcance real. Sua obra se espalha não porque foi planejada para isso, mas porque encontra ressonância.
Num país em que a política se tornou cada vez mais mediada por imagens, memes e disputas narrativas, artistas como ele ocupam um lugar estratégico. Não são apenas ilustradores do momento. São produtores de sentido.












