Da Redação
Instituição reguladora intensifica fiscalização, convoca auditores e prepara investigação aprofundada sobre operações da instituição liquidada.
O Banco Central do Brasil (BC) anunciou o início de uma nova etapa de apurações sobre o Banco Master, em sequência à liquidação extrajudicial da instituição financeira. O processo inclui instaurar comissões internas, convocar auditores externos e revisar operações suspeitas que remontam ao cronograma de intervenção.
Fontes ligadas à autarquia reguladora informaram que o foco das investigações agora será estendido além da reação imediata à liquidação e abrangerá, entre outros pontos: a atuação de diretores da instituição antes da intervenção, os fluxos de recursos vinculados ao banco regional que detinha participação relevante na operação, e movimentações que podem ter impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O regulador também solicitou dados detalhados sobre trocas de mensagens de executivos do banco, movimentações de contas relacionadas à instituição e histórico de processos judiciais vinculados aos bancos regionais que participaram da operação. A expectativa é que os resultados preliminares sejam encaminhados ao Ministério Público Federal e a órgãos de controle ainda no segundo trimestre de 2026.
A decisão de ampliar o cerco regulatório ocorre em meio à pressão da sociedade por responsabilização e clareza sobre as razões que levaram à fragilidade do banco, à liquidação e às perdas dos clientes. O presidente do BC destacou que o órgão “não admite solução técnica que ignore a dimensão política e os impactos institucionais”.
Especialistas em regulação bancária avaliam que a medida marca uma evolução no padrão de supervisão financeira do país. A nova rodada de apurações sinaliza que a autoridade monetária busca não apenas corrigir falhas pontuais, mas entender se houve captura regulatória, conivência de gestores públicos ou incentivo a operações de risco indevidas sob cobertura política.
Para o sistema financeiro, o caso serve de alerta. Muitos bancos regionais que operam em setores vulneráveis começam a repensar governança corporativa, compliance e dependência de aval estatal. A liquidação do Banco Master, por suas dimensões e repercussão, será utilizada como estudo de caso nos próximos anos.


