Atitude Popular

Boulos diz que direitos dos trabalhadores são “inegociáveis” para Lula

Da Redação

O ministro Guilherme Boulos afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera os direitos dos trabalhadores como pauta inegociável, destacando propostas como o fim da escala 6×1, redução da jornada de trabalho e regulação de plataformas de aplicativos.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, declarou em entrevista que os direitos dos trabalhadores são uma pauta “inegociável” para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o executivo pretende avançar medidas consideradas históricas por sindicatos e movimentos sociais. Entre os pontos citados pelo ministro estão propostas para **eliminar a escala 6×1 — em que o trabalhador labora seis dias seguidos e descansa apenas um — e estabelecer uma jornada máxima de trabalho de 40 horas semanais sem redução salarial, em contraste com o teto atual de 44 horas.

Boulos afirmou que a intenção do governo é que essa agenda seja colocada em votação ainda no semestre, citando conversas com líderes da Câmara dos Deputados e ministros sobre o tema. Ele relatou inclusive que o próprio Palácio do Planalto já adotou internamente a mudança no regime de escala, abolindo a 6×1 nas equipes terceirizadas que trabalham no prédio do governo federal.

Ao tratar das críticas empresariais às propostas, o ministro afirmou que resistências desse tipo fazem parte de um histórico de oposição a direitos trabalhistas, comparando a situação atual com resistências que teriam ocorrido no passado a conquistas como o salário mínimo, o décimo terceiro salário e férias remuneradas.

No tema dos trabalhadores em plataformas digitais, Boulos destacou que a regulação do trabalho por apps também é considerada prioridade, com a defesa de garantias como remuneração mínima, cobertura previdenciária e transparência no uso de algoritmos pelas empresas de tecnologia. Ele criticou o que chamou de “taxa de exploração” nas receitas desses trabalhadores ao discutir divisões de valores retidos pelas plataformas.

O ministro ainda abordou outros temas sociais, como direitos à resocialização de trabalhadores que cumpriram penas e a necessidade de inovação democrática com propostas como o “orçamento do povo”, que permitiria à população decidir prioridades locais de investimento via aplicativos e ferramentas digitais.

No campo econômico, Boulos fez críticas à taxa de juros elevada, defendendo sua redução para aliviar o custo de vida tanto para trabalhadores quanto para pequenos e médios empresários.

A declaração do ministro reforça a linha do governo Lula em tratar a agenda trabalhista como um pilar de sua política social, alinhada ao compromisso histórico do partido com a defesa dos direitos e da proteção dos trabalhadores no Brasil, em contraste com as reformas implementadas por governos anteriores que flexibilizaram algumas normas da Consolidação das Leis do Trabalho.