Brasil registra menor taxa de assassinatos em 14 anos, aponta Anuário da Segurança Pública

País reduziu em 31% o número de homicídios desde 2012, mas relatório alerta para crescimento da letalidade policial e persistência das desigualdades raciais

Da Redação

O Brasil alcançou, em 2025, o menor índice de assassinatos dos últimos 14 anos, consolidando uma tendência de queda observada ao longo da última década. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais, o equivalente a uma taxa de 19,1 homicídios para cada 100 mil habitantes. O resultado representa uma redução de 8% em relação a 2024 e de 31% na comparação com 2012, início da série histórica do levantamento.

Os números confirmam uma trajetória de redução da violência letal no país, embora o estudo ressalte que o cenário ainda está longe de ser homogêneo. Persistem diferenças profundas entre estados, além de desigualdades que atingem principalmente a população negra e moradores de regiões periféricas.

Queda é resultado de uma tendência de longo prazo

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsável pelo anuário, a diminuição dos homicídios vem sendo construída ao longo dos últimos anos e está relacionada a uma combinação de fatores, como mudanças demográficas, aperfeiçoamento das políticas de segurança, maior integração entre forças policiais e redução de conflitos entre organizações criminosas em algumas regiões do país.

Apesar da melhora nos indicadores nacionais, especialistas alertam que a violência continua distribuída de forma desigual, com estados que ainda registram índices bastante superiores à média brasileira.

Letalidade policial continua crescendo

Embora os assassinatos tenham diminuído, o relatório aponta um dado preocupante: as mortes provocadas por intervenções policiais continuam em alta.

O anuário indica que a letalidade decorrente de ações das forças de segurança segue crescendo em diversas unidades da federação, tornando-se um dos principais desafios da política pública de segurança. Pesquisadores afirmam que a redução dos homicídios não pode ser analisada isoladamente quando parte dessas mortes migra para estatísticas envolvendo ações policiais.

Desigualdade racial permanece como marca da violência

O levantamento também evidencia que a violência letal continua atingindo de forma desproporcional a população negra.

Segundo o estudo, pessoas negras permanecem como a ampla maioria das vítimas de homicídios no Brasil, revelando que a redução geral dos assassinatos ainda não foi suficiente para alterar o padrão histórico de desigualdade racial na vitimização. O relatório defende que políticas de segurança precisam ser acompanhadas por ações voltadas à redução das desigualdades sociais e raciais.

Segurança pública segue como desafio nacional

Os pesquisadores destacam que os resultados positivos não autorizam um relaxamento das políticas públicas. Pelo contrário, a continuidade da queda dependerá da manutenção de investimentos em inteligência policial, prevenção da violência, fortalecimento das investigações e integração entre União, estados e municípios.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é considerado uma das principais referências nacionais sobre criminalidade e reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança, polícias civis e militares e demais órgãos públicos responsáveis pela produção das estatísticas criminais.