Da Redação
A consolidação das chapas presidenciais da direita produziu um efeito inesperado na política cearense. Enquanto Ciro Gomes permanece concentrado na disputa pelo Governo do Ceará, dois nomes que ocuparam espaço ao seu lado nos últimos meses ganharam protagonismo nacional. O senador Eduardo Girão foi oficializado como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), e a vereadora Priscila Costa desponta como principal cotada para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
A definição representa uma mudança de posição para lideranças que, até pouco tempo, estavam fortemente associadas à construção da candidatura de Ciro no Ceará. Com a disputa presidencial ganhando forma, Girão e Priscila passaram a ser absorvidos por projetos nacionais, reduzindo seu envolvimento direto na campanha cearense.
Ciro reagiu à escolha de Girão desejando sucesso ao senador e afirmando que ele representará bem o Ceará na eleição presidencial. A manifestação confirma que a aproximação política entre ambos permanece, mesmo com a mudança de foco do parlamentar.
Os pivôs da crise entre Michelle e Flávio
A possível indicação de Priscila Costa também possui outro significado político. Ela e Eduardo Girão estiveram entre os principais personagens da disputa travada nos bastidores do bolsonarismo entre os grupos ligados a Michelle Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro.
Nos últimos meses, esses três nomes foram apontados como alternativas defendidas por diferentes alas da direita para ocupar posições estratégicas nas chapas nacionais. A definição de Girão como vice de Zema e o fortalecimento da candidatura de Priscila para a vice de Flávio indicam que a negociação terminou acomodando lideranças identificadas com o Ceará.
Caso a indicação de Priscila seja confirmada, o resultado poderá ser interpretado também como um gesto de distensão entre os grupos liderados por Michelle e Flávio Bolsonaro. Em vez de produzir novos vencedores e derrotados dentro da família, a composição distribui espaços políticos e reduz uma das frentes de atrito que marcou as negociações da direita nas últimas semanas.