Centec amplia rede de CVTs, aposta em inteligência artificial e leva qualificação até distritos para responder às demandas reais do Ceará
“O Instituto Centec completa este ano 27 anos” e, no ritmo de novas profissões e velhas carências de mão de obra, tenta ocupar um lugar estratégico no Ceará: formar gente para o trabalho onde o trabalho está chegando — e também onde ele falta. A avaliação foi apresentada pelo deputado Acrísio Sena, diretor-presidente do Instituto Centec, em entrevista ao programa Café com Democracia, com apresentação de Luiz Regadas. Esta matéria foi produzida a partir do transcript do programa Café com Democracia, da TV Atitude Popular, exibido na terça-feira, 3 de fevereiro, às 7h30.
Na conversa, Acrísio defendeu que o Centec se consolidou como uma “rede” de formação e inovação espalhada pelo estado, inspirada por Ariosto Holanda, citado como idealizador do projeto. Hoje, segundo ele, a estrutura combina centros vocacionais e unidades temáticas, com foco em qualificação rápida, mas também em formação técnica mais longa.
“Hoje nós podemos dizer que nós temos uma rede, na verdade, que se constituiu como territórios de inovação espalhado no estado do Ceará.”
Uma rede de CVTs, faculdades tecnológicas e unidades especializadas
Acrísio detalhou o tamanho e o desenho do Centec no estado: são 27 CVTs, duas faculdades tecnológicas e três CVTECs temáticos — além de um portfólio amplo de cursos de curta duração.
Entre as faculdades tecnológicas, ele citou unidades em Quixeramobim e Juazeiro do Norte. Já os CVTECs, segundo o diretor-presidente, operam como centros “especializados”: um em São Gonçalo do Amarante, voltado a energias renováveis; outro em Barbalha, focado em agroecologia; e um em Crato, direcionado à gastronomia.
A promessa, porém, não é só capilaridade: é atualização. Acrísio afirmou que o Centec vem ampliando cursos ligados às tecnologias da informação e comunicação (TIC) e à economia das energias renováveis — com uma linguagem direta para explicar o salto de escopo do catálogo.
“A gente consegue fazer de design de sobrancelha a pilotagem de drone, a inteligência artificial. Ou seja, são mais de 134 cursos.”
Inteligência artificial, data centers e energias renováveis no horizonte
Ao apontar por que esse “novo portfólio” ganhou protagonismo, Acrísio associou a agenda do Centec a estratégias de desenvolvimento estadual e a compromissos institucionais assumidos pelo governo do estado. Ele citou a expansão de cursos de inteligência artificial, desenvolvimento web, segurança de dados e computação em nuvem, além de conteúdos ligados à transição energética (eólica, solar e hidrogênio verde).
No campo da infraestrutura digital, o convidado mencionou a chegada de data centers ao entorno do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, citando a demanda por um padrão diferente de formação, com “profissões emergentes” conectadas ao mercado global e ao trabalho remoto.
“Nós temos jovens hoje que nem conseguiram ainda terminar o ensino médio, mas já trabalhando (…) nessa área de nuvem, de inteligência artificial, já ganhando (…) equiparado a um professor com doutorado da universidade.”
Formação guiada por demanda local e arranjos produtivos
Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa de que qualificação precisa “conversar” com a economia real de cada região. Acrísio explicou que o Centec considera arranjos produtivos locais e demandas apresentadas por municípios para construir a oferta — de polos de floricultura a cadeias de mecânica, calçados e confecção.
“A tendência não é só qualificar, seria qualificar de acordo com a estratégia, a demanda do desenvolvimento local.”
A lógica é pragmática: se uma região recebe empresas de energia solar, forma-se gente para montagem e manutenção; se uma indústria se instala, prepara-se mão de obra no entorno; se falta pedreiro, eletricista e bombeiro hidráulico, a qualificação volta a mirar profissões tradicionais — mas com a urgência de quem já sente o apagão desses trabalhadores no cotidiano.
“Tá faltando profissionais. Um eletricista (…) é de 200 a 250 [reais].”
Laboratórios itinerantes e cursos na zona rural
Acrísio também destacou a expansão do modelo itinerante: laboratórios móveis que permitem levar parte importante das formações até distritos e áreas rurais, reduzindo deslocamentos longos até sedes municipais.
“A gente leva esses nossos laboratórios itinerantes e conseguimos fazer (…) dentro da zona rural. Isso é uma marca nossa.”
Inscrições, duração e critérios de prioridade
Sobre inscrições para 2026, ele afirmou que os cursos são gratuitos e, em geral, de curta duração, variando de 40 a 160 horas (algo como dois a três meses, dependendo da carga). Também citou cursos técnicos com cerca de 1.500 horas em áreas como energias renováveis e agroecologia.
“Não tem taxa, nenhuma taxa.”
Segundo ele, a seleção considera critérios sociais: estudantes de escola pública, famílias em vulnerabilidade e desempregados têm prioridade. A inscrição, afirmou, ocorre online, com informações concentradas em canais do próprio Centec e dos CVTs.
“A prioridade é para baixa renda, (…) desempregados.”
Conexão com banco de emprego e um dado político do mercado de trabalho
No fim do programa, Acrísio disse que há parceria com órgãos de intermediação de mão de obra — citando migração de formandos para cadastros e bancos de emprego — e relacionou o esforço de qualificação a indicadores de emprego formal no estado.
Ele também confirmou que, por calendário eleitoral, precisa se desincompatibilizar da função no Centec em 2 de abril e que está como pré-candidato a deputado estadual, ressaltando que a candidatura se oficializa apenas após convenção e registro no TRE.
“Obrigatoriamente saio (…) no dia 2 de abril e terei o nome como pré-candidato a deputado estadual.”
Ao defender a formação profissional como política pública de transformação, Acrísio resumiu o “slogan” que, na entrevista, virou conceito de gestão e promessa social — a frase que dá sentido ao projeto e, para ele, deve orientar o futuro do trabalho no estado.
“O nosso lema do Centec é transformando vidas através do conhecimento.”
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