Dilma defende retorno da Argentina aos BRICS e propõe governança global para a inteligência artificial

Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento afirma que o bloco permanece aberto à adesão argentina e defende uma arquitetura multilateral para democratizar o acesso à IA

Da Redação

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, defendeu que a Argentina volte a buscar sua entrada no BRICS e reforçou a necessidade de criar uma governança internacional para a inteligência artificial baseada no multilateralismo, na cooperação entre países e na atuação das Nações Unidas. As declarações foram feitas durante uma conferência internacional sobre inteligência artificial realizada em Xangai.

Ao comentar a decisão do governo de Javier Milei de retirar a Argentina do processo de adesão ao bloco, Dilma afirmou que as portas continuam abertas para o país vizinho.

“Gostaria que a Argentina voltasse a tentar. Estaremos sempre de portas abertas.”

Embora tenha evitado criticar diretamente o governo argentino, a dirigente do NDB ressaltou que a decisão soberana de Buenos Aires é respeitada, mas deixou claro que considera positiva uma futura aproximação da Argentina com os BRICS.

Inteligência artificial deve servir ao desenvolvimento

Durante sua participação no evento, Dilma concentrou sua intervenção no papel estratégico da inteligência artificial para os países em desenvolvimento. Segundo ela, a IA pode acelerar a transformação de áreas como saúde, educação, infraestrutura, indústria e serviços públicos, desde que sua utilização não permaneça concentrada em poucas empresas e nas grandes potências tecnológicas.

Para a ex-presidenta, a disputa tecnológica em torno da inteligência artificial tornou-se um dos principais desafios geopolíticos do século XXI, exigindo mecanismos internacionais capazes de reduzir as desigualdades no acesso às novas tecnologias.

Defesa do código aberto

Dilma também defendeu a expansão de modelos de inteligência artificial de código aberto (open source), argumentando que plataformas abertas favorecem a inovação, ampliam a autonomia tecnológica dos países e reduzem a dependência de um pequeno grupo de empresas que hoje concentra a infraestrutura global de IA.

Na avaliação da presidente do NDB, democratizar o acesso às tecnologias emergentes é condição essencial para que os países do Sul Global possam desenvolver soluções adaptadas às suas próprias necessidades econômicas e sociais.

BRICS podem liderar uma nova arquitetura tecnológica

À frente do banco de desenvolvimento do bloco, Dilma afirmou que o NDB estuda mecanismos de financiamento para projetos ligados à transformação digital e à inteligência artificial, sobretudo aqueles destinados a ampliar a infraestrutura tecnológica dos países em desenvolvimento.

Segundo ela, os BRICS possuem capacidade para desempenhar um papel relevante na construção de um ambiente internacional mais equilibrado para o desenvolvimento da IA, reduzindo as assimetrias tecnológicas e ampliando o acesso ao financiamento.

Governança global sob liderança da ONU

Dilma defendeu ainda a criação de regras internacionais para disciplinar o desenvolvimento da inteligência artificial. Em sua avaliação, o maior desafio não está na tecnologia em si, mas na forma como governos, empresas e organizações utilizam essas ferramentas.

Por isso, sustentou que a governança da IA deve ser construída por meio de tratados multilaterais coordenados pelas Nações Unidas, evitando que um número restrito de países concentre o controle sobre uma tecnologia considerada estratégica para o futuro da humanidade.

As declarações dialogam com a agenda recentemente defendida pelos BRICS, que tem buscado fortalecer mecanismos internacionais para uma governança da inteligência artificial mais inclusiva, transparente e representativa dos interesses do Sul Global.