Da Redação
A Embraer projeta que o mercado mundial demandará aproximadamente 8,5 mil novas aeronaves comerciais com capacidade para até 150 passageiros nas próximas duas décadas. O volume de negócios associado às entregas é estimado em US$ 650 bilhões, consolidando um amplo espaço de expansão para a fabricante brasileira no segmento da aviação regional.
As estimativas fazem parte do relatório Market Outlook 2026, divulgado pela companhia neste sábado, 18 de julho. O estudo analisa as transformações previstas na aviação comercial até 2045 e aponta que o crescimento do transporte aéreo será impulsionado pela expansão do turismo, pelo surgimento de novos polos industriais e pela reorganização das cadeias produtivas internacionais.
Tráfego aéreo crescerá 3,7% ao ano
Segundo a Embraer, a receita por passageiro por quilômetro, indicador conhecido pela sigla RPK e utilizado para medir a demanda pelo transporte aéreo, deverá crescer, em média, 3,7% ao ano durante os próximos 20 anos.
A projeção revela um cenário de expansão consistente para a aviação regional, especialmente em rotas que conectam cidades de médio porte, centros industriais emergentes e regiões que ainda apresentam baixa oferta de voos diretos.
Esse movimento favorece particularmente aeronaves menores e mais eficientes, capazes de operar ligações frequentes sem exigir a ocupação necessária aos grandes aviões utilizados nas rotas de maior densidade.
China liderará crescimento da demanda
Entre as regiões analisadas, a China deverá apresentar o maior crescimento anual do tráfego aéreo, com uma expansão projetada de 5,2% ao ano. Na sequência aparecem o Oriente Médio, com crescimento estimado em 4,6%, a África, com 4,4%, e a América Latina e o Caribe, com 4,3%.
Os números indicam que parte significativa da expansão da aviação ocorrerá fora dos tradicionais mercados da América do Norte e da Europa. O crescimento econômico, a urbanização e o aumento da renda em países asiáticos, africanos e latino-americanos deverão elevar a demanda por viagens e por novas conexões regionais.
Para a Embraer, esse processo cria oportunidades importantes, uma vez que a empresa ocupa posição de destaque no mercado internacional de jatos comerciais de pequeno e médio porte.
Novos polos industriais exigirão mais conexões
A reorganização da economia mundial também deverá modificar o mapa das rotas aéreas. A transferência de fábricas, a regionalização das cadeias de fornecimento e o crescimento de novos centros de produção ampliam a necessidade de ligações diretas entre cidades que antes dependiam de grandes aeroportos de conexão.
O presidente e CEO da divisão de Aviação Comercial da Embraer, Arjan Meijer, destacou que o surgimento de polos avançados de manufatura e de novas cadeias regionais de valor está criando uma demanda permanente por rotas eficientes e com maior frequência entre centros econômicos emergentes.
Nesse cenário, companhias aéreas tendem a buscar aeronaves que combinem menor consumo de combustível, custos operacionais reduzidos e capacidade adequada para rotas que não justificam o emprego de aviões maiores.
América do Norte continuará como principal mercado
Apesar de a China liderar o ritmo de crescimento do tráfego aéreo, a América do Norte deverá permanecer como o maior mercado em número de entregas de aeronaves até 2045.
A Embraer estima que a região receberá 2.670 novos jatos, representando aproximadamente 31% de todas as entregas previstas no período.
Europa e Comunidade dos Estados Independentes deverão receber 1.870 aeronaves, correspondentes a 22% do total. A China aparece em seguida, com uma previsão de 1.470 entregas e participação de 17% no mercado projetado.
A forte presença da Embraer nos Estados Unidos e em outros mercados desenvolvidos coloca a empresa em posição estratégica para disputar essas encomendas. Ao mesmo tempo, o avanço da demanda em regiões emergentes abre novas possibilidades de expansão comercial.
Aviação regional ganha importância estratégica
As projeções reforçam a importância crescente da aviação regional para o funcionamento da economia mundial. Além de transportar passageiros, as rotas aéreas conectam cadeias produtivas, centros tecnológicos, polos turísticos e regiões afastadas dos grandes aeroportos internacionais.
Em países continentais como o Brasil, a ampliação desse segmento também pode contribuir para integrar territórios, estimular economias locais e reduzir o isolamento de cidades que enfrentam longas distâncias rodoviárias.
A demanda prevista até 2045 representa uma oportunidade não apenas para a Embraer, mas para toda a cadeia aeroespacial brasileira, formada por empresas de engenharia, tecnologia, componentes, manutenção e serviços especializados.
O mercado estimado em US$ 650 bilhões confirma que a aviação comercial continuará sendo um setor estratégico nas próximas décadas. Para o Brasil, preservar e ampliar sua capacidade de desenvolver aeronaves significa manter empregos qualificados, domínio tecnológico e presença soberana em uma das indústrias mais complexas e competitivas do mundo.






