Da Redação
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, afirmou em nota pública que produziu 36 pareceres jurídicos e participou de 94 reuniões de trabalho durante o período em que seu escritório prestou serviços ao Banco Master, instituição investigada no escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, divulgou uma nota pública na qual confirma que seu escritório prestou serviços jurídicos ao Banco Master e afirma ter elaborado 36 pareceres jurídicos e participado de 94 reuniões de trabalho durante a vigência do contrato com a instituição financeira.
Segundo a manifestação divulgada pela advogada, o contrato foi firmado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 entre o banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. O trabalho teria sido realizado por uma equipe composta por 15 advogados, além da participação de três escritórios especializados que auxiliaram nas atividades jurídicas desenvolvidas para a instituição.
A nota detalha que as 94 reuniões ocorreram em diferentes formatos e contextos de trabalho. De acordo com a advogada, 79 encontros foram presenciais na sede do Banco Master, com duração aproximada de três horas cada um, envolvendo equipes das áreas corporativa e de compliance do banco. Além disso, teriam ocorrido 13 reuniões com a presidência da instituição, sendo duas presenciais e onze realizadas por videoconferência, além de duas reuniões virtuais adicionais entre equipes jurídicas.
No documento, Viviane Barci afirma que o escritório produziu 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre temas variados ligados às atividades do banco. Entre os assuntos abordados estariam questões previdenciárias, trabalhistas, contratuais, regulatórias, de compliance, crédito e proteção de dados, além de análises sobre governança corporativa e gestão de riscos.
O esclarecimento público foi divulgado após o contrato firmado entre o escritório da advogada e o Banco Master ganhar destaque nas investigações conduzidas pela Polícia Federal no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O acordo, encontrado no celular do empresário apreendido pela PF, previa uma remuneração total de aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de três anos, valor que chamou a atenção dos investigadores.
A relação contratual passou a ser discutida publicamente após a revelação de mensagens e documentos obtidos durante a investigação sobre o colapso do Banco Master e possíveis crimes financeiros ligados à instituição. O escândalo envolve suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e tentativa de cooptação de agentes públicos.
Na nota, a advogada afirma que a atuação de seu escritório esteve concentrada principalmente na estruturação e revisão de políticas internas de compliance, atualização do Código de Ética e Conduta, elaboração de políticas corporativas e desenvolvimento de procedimentos para certificação de governança e integridade. O documento também menciona a realização de treinamentos internos e consultoria jurídica sobre investigações e processos judiciais que poderiam impactar o banco.
Outro ponto destacado pela defesa é que o escritório não atuou em processos do Banco Master perante o Supremo Tribunal Federal, buscando afastar qualquer interpretação de conflito institucional envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A banca afirma possuir quase duas décadas de atuação prestando serviços jurídicos a grandes empresas e instituições.
O contrato entre o banco e o escritório da esposa do ministro tornou-se um dos temas mais sensíveis dentro das investigações sobre o caso Master, que mobiliza a Polícia Federal, o Banco Central e o próprio Supremo Tribunal Federal. À medida que novos elementos surgem nas apurações, o episódio continua gerando debates políticos e jurídicos sobre a relação entre grandes instituições financeiras e atores do sistema de justiça no país.


