Da Redação
Uma operação financeira envolvendo o escritório do filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e um fundo ligado à gestora Reag Investimentos, investigada no escândalo do Banco Master, aumentou a pressão política sobre o governo do DF e levou partidos a pedirem investigação.
Uma operação financeira de R$ 38 milhões envolvendo o escritório de advocacia ligado ao filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e um fundo associado à gestora Reag Investimentos passou a integrar o centro das controvérsias políticas relacionadas ao escândalo do Banco Master. O caso ganhou repercussão após revelações de que a transação ocorreu pouco antes de o Banco de Brasília (BRB) iniciar negociações financeiras com a instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com as informações divulgadas, um fundo ligado à Reag adquiriu direitos creditórios de honorários advocatícios no valor de R$ 38 milhões pertencentes ao escritório associado ao advogado Caio Carvalho Barros, filho de Ibaneis Rocha, além de outro aliado político e profissional do governador.
O acordo foi firmado em maio de 2024. Pouco depois da assinatura do contrato, o Banco de Brasília, instituição financeira estatal controlada pelo governo do Distrito Federal, passou a negociar operações com o Banco Master, instituição posteriormente investigada por suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro.
A sequência temporal dos acontecimentos chamou atenção de investigadores e de setores da oposição política no Distrito Federal. Após a divulgação do contrato, partidos e parlamentares passaram a cobrar apurações sobre a compatibilidade da operação financeira com o contexto das negociações envolvendo o banco público do DF e o Banco Master.
O Partido Socialista Brasileiro, por exemplo, protocolou pedido no Supremo Tribunal Federal solicitando que a Procuradoria-Geral da República avalie a abertura de investigação sobre o caso, argumentando que a transação precisa ser esclarecida diante das investigações em curso sobre o escândalo financeiro que envolve o Banco Master e a gestora Reag.
A gestora Reag Investimentos aparece nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público como uma das estruturas financeiras relacionadas às operações que estão sendo analisadas no escândalo do Banco Master. Segundo investigadores, a rede de fundos e estruturas financeiras teria sido utilizada em transações consideradas suspeitas no mercado de crédito.
O escândalo envolvendo o Banco Master se tornou uma das maiores investigações financeiras recentes no Brasil. A Polícia Federal apura operações que podem ter causado prejuízos bilionários ao sistema bancário e a investidores, enquanto o Banco Central acabou liquidando a instituição após problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades nas carteiras de crédito.
No centro da crise está a tentativa de venda ou integração do Banco Master ao Banco de Brasília, operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central após questionamentos sobre a viabilidade financeira e a qualidade dos ativos envolvidos na negociação.
Diante da repercussão do caso, o governador Ibaneis Rocha afirmou que não integra mais o escritório de advocacia desde 2018, quando assumiu o governo do Distrito Federal. O filho, Caio Carvalho Barros, tornou-se advogado em 2022 e passou a atuar como sócio da banca posteriormente.
Mesmo com essa explicação, a revelação do contrato de R$ 38 milhões ampliou a pressão política sobre o governo do Distrito Federal e adicionou novos elementos ao complexo conjunto de investigações relacionadas ao colapso do Banco Master, considerado por autoridades um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.


