Da Redação
Programa do governo federal começa nesta segunda-feira (24/11) e beneficiará cerca de 1 milhão de famílias em situação de vulnerabilidade nas dez principais capitais do país.
O governo federal dá início nesta segunda-feira à primeira fase do programa “Gás do Povo”, por meio da entrega gratuita de botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP) de 13 kg para famílias em situação de vulnerabilidade. A etapa piloto contempla dez capitais: São Paulo (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Teresina (PI), Natal (RN) e Porto Alegre (RS). O conjunto das famílias beneficiadas nesta fase inicial soma aproximadamente 1 milhão.
O programa visa substituir o antigo formato de repasse em dinheiro por um sistema de entrega direta de botijões ou vales-recarga em revendas credenciadas, com o intuito de garantir o uso específico do benefício para o gás de cozinha, reduzir fraudes e ampliar a rastreabilidade da operação. A meta anunciada é alcançar mais de 15 milhões de famílias até março de 2026.
Para participar, as famílias devem estar inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com registro atualizado há, no mínimo, 24 meses, e ter renda per capita de até meio salário-mínimo. Terão prioridade aquelas que já recebem o Bolsa Família. A operação será coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em conjunto com a Caixa Econômica Federal, responsável por cadastrar revendas, distribuir os vales-recarga e validar o acesso dos usuários.
A mudança para o modelo de entrega direta também contou com atualização dos preços de referência do GLP determinada por portaria interministerial, a fim de dar suporte à execução da primeira fase. O ministro responsável afirmou que a iniciativa representa avanço no combate à pobreza energética, na segurança alimentar e no acesso a uma forma de cozimento mais limpa, especialmente em domicílios com pouca renda ou em regiões periféricas.
Especialistas destacam que o novo programa poderá ter impactos relevantes na vida doméstica de milhões de famílias, reduzindo o custo do gás de cozinha, promovendo dignidade e reforçando o papel do Estado de provedor de políticas de acesso básico. Ao mesmo tempo, apontam desafios na logística de distribuição, atualização cadastral e monitoramento da rede de revendas para garantir cobertura adequada e evitar descontinuidade.
Nas capitais selecionadas para o início da operação, há diferenças consideráveis no número de beneficiários: São Paulo lidera com cerca de 323 mil famílias; Salvador com aproximadamente 170,6 mil; Fortaleza cerca de 122,4 mil; Recife 101 mil; Belém 92,8 mil; Belo Horizonte 52 mil; Goiânia 42,5 mil; Teresina 37 mil; Natal 30,5 mil; Porto Alegre 24 mil. Essas diferenças refletem a prioridade atribuída segundo densidade populacional, vulnerabilidade social e logística de implementação.
O “Gás do Povo” entra em funcionamento em um momento em que o governo busca ampliar a rede de proteção social e reduzir desigualdades estruturais no país. A operação nas dez capitais será acompanhada de perto por entes federais e estaduais com vistas a avaliar desempenho, cobertura e possíveis ajustes antes da expansão nacional.


