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INSS exige biometria para novos pedidos de benefícios a partir de sexta-feira

Da Redação

A partir de 21 de novembro de 2025, todo novo requerimento de benefício junto ao INSS só poderá ser aceito se o cidadão tiver cadastro biométrico válido — parte de uma política mais ampla de combate à fraude e fortalecimento da identificação no sistema público de previdência.

Em 21 de novembro de 2025, entra em vigor nova regra que altera substancialmente os procedimentos para concessão de benefícios previdenciários e assistenciais no Brasil. O INSS passa a exigir que todo novo pedido de benefício — seja aposentadoria, pensão, Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou outro — esteja acompanhado de cadastro biométrico.

A medida decorre do Decreto nº 12.561, que regulamenta o art. 1º da Lei nº 15.077, e busca modernizar o sistema de concessão de benefícios, reduzir fraudes e garantir que os recursos públicos cheguem aos reais titulares dos direitos.

Escopo da exigência e cronograma

A regra valerá imediatamente para todos os novos requerimentos a partir desta sexta-feira. Para os cidadãos que já recebem benefícios ou têm pedidos em andamento, o governo definiu prazos de transição. Veja os principais destaques:

  • A partir de 21 de novembro de 2025: novos pedidos exigem que o requerente tenha biometria registrada. Será aceita biometria contida na Carteira de Identidade Nacional (CIN), na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou no cadastro eleitoral com biometria.
  • A partir de 1º de maio de 2026: haverá obrigatoriedade para novos beneficiários de programas sociais complementares (salário-maternidade, pensão por morte, benefício por incapacidade temporária etc.).
  • A partir de 1º de janeiro de 2027: para renovação ou novos pedidos será exigido que o beneficiário possua algum tipo de biometria cadastrada — caso contrário, será alertado e solicitar emissão da CIN.
  • A partir de 1º de janeiro de 2028: a biometria deverá ser por meio da CIN como único documento aceito.

Objetivos da medida

O governo apresenta os seguintes objetivos com a exigência biométrica:

  • Combater fraudes: ao vincular identidade biométrica ao processo de concessão, espera-se reduzir requerimentos em nome de falsos segurados ou uso indevido dos benefícios.
  • Garantir integridade cadastral: a coleta de biometria amplia a confiabilidade dos registros e impede duplicações ou fraudes de identidades.
  • Soberania informacional: o Brasil reforça controle sobre dados de beneficiários, reduz influência de intermediários e melhora controle estatal sobre quem recebe benefícios públicos.
  • Eficiência administrativa: ao automatizar parte da verificação de identidade, o INSS pretende reduzir glosas, impugnações e atrasos processuais.

Desafios e críticas

Apesar do anúncio, há pontos de atenção e questionamentos:

  • Cobertura da biometria: embora cerca de 84% dos beneficiários já possuam registro biométrico em alguma base (judicial eleitoral, CNH, identidade com biometria), cerca de 16% ainda não estão adequadamente mapeados. Esses grupos podem enfrentar dificuldade para solicitar novos benefícios.
  • Infraestrutura e atendimento: a exigência dependerá da operacionalização dos sistemas de cadastro e dos atendimentos presenciais para quem ainda precisar emitir documentos novos ou cadastrar biometria. Em municípios remotos ou com pouca estrutura, pode haver gargalos.
  • Transição e justiça social: grupos vulneráveis — idosos, pessoas com deficiência, moradores de regiões remotas — podem ser afetados se o registro biométrico for exigido sem acessibilidade adequada. O governo afirma que não haverá bloqueio automático durante a fase de transição, mas a fiscalização do respeito a essa condição será relevante.
  • Privacidade e proteção de dados: a ampliação da coleta biométrica levanta discussão sobre tratamento de dados sensíveis, segurança das bases de dados e transparência do uso. Garantias legais e técnicas são fundamentais para evitar vazamentos ou uso indevido.
  • Potencial impacto em concessões urgentes: em casos de requerimentos de benefícios por incapacidade ou pensão por morte, a exigência pode gerar atrasos se o beneficiário ou seus dependentes não tiverem biometria previamente. O governo estabeleceu cronograma gradual, mas o risco permanece.

Impactos práticos para os segurados

Para quem vai requerer benefício a partir desta sexta:

  • Verificar se consta cadastro biométrico em algum documento oficial: identidade com biometria, CNH ou título de eleitor com biometria.
  • Caso não tenha biometria, deverá providenciar documento com biometria ou seguir cronograma para emissão da Carteira de Identidade Nacional.
  • Ficar atento aos prazos de atendimento e agendamento no INSS, pois a exigência pode causar novos bloqueios ou necessidade de ajuste documental previo ao exame do pedido.
  • Os requerentes já em processo ou beneficiários ativos não terão requerimento automaticamente negado, mas deverão cumprir obrigatoriedade conforme prazos definidos.
  • Em localidades de difícil acesso, verificar se há unidades móveis ou atendimento especial para registro de biometria.

Contexto mais amplo

A exigência vem num momento em que o sistema previdenciário brasileiro acumula desafios: envelhecimento populacional, déficit fiscal, sobrecarga de pedidos e histórico de fraudes em benefícios. A operacionalização da biometria aparece como elemento técnico para mitigação de riscos, mas também estratégico: reforça a arquitetura de controle estatal, a soberania sobre dados e o papel da autarquia no cenário da segurança social.

Do ponto de vista da soberania informacional — tema central para o jornalismo e pesquisa — o movimento sinaliza que o Estado brasileiro busca ampliar sua base de dados biométricos, reduzir lacunas na verificação de identidade e utilizar a tecnologia como instrumento de governança pública. Porém, essa ampliação também exige regulação forte, transparência e respeito aos direitos civis.

O que observar nas próximas semanas

  • A adaptação dos sistemas da INSS para aceitar e validar biometria nos pedidos.
  • A emissão de orientações oficiais e campanhas para informar os cidadãos sobre o requisito.
  • Estatísticas sobre quantos pedidos foram adiados ou negados em razão da falta de biometria.
  • A reação de organizações de direitos humanos, advocacia previdenciária e movimentos sociais sobre acesso de vulneráveis ao benefício.
  • Como serão tratados os casos de urgência ou exceção, bem como as políticas de atendimento nas regiões geograficamente isoladas.

Conclusão

A exigência de biometria para novos pedidos de benefício no INSS, em vigor a partir de 21 de novembro de 2025, representa uma mudança significativa na administração pública brasileira. Por um lado, ela pode trazer mais segurança, eficiência e controle. Por outro, impõe desafios de acesso, transparência e justiça social.

Num país de desigualdades profundas, é essencial que a operacionalização dessa regra seja acompanhada de cuidado, acompanhamento técnico e supervisão institucional. A biometria não deve ser barreira de acesso, mas instrumento de proteção — tanto aos recursos públicos quanto aos direitos dos segurados.