Da Redação
Plano de paz de 28 pontos é entregue a Moscou; Kremlin diz que vai avaliar, mas ressalta que aceitação dependerá de concessões territoriais e retirada de tropas — o que mantém guerra ativa por enquanto.
O Kremlin confirmou que recebeu oficialmente o plano de paz elaborado pelos Estados Unidos em conjunto com a Ucrânia como proposta para encerrar o conflito que já dura quase três anos. A informação foi divulgada pelo porta-voz Dmitry Peskov, que afirmou que Moscou analisará o conteúdo e responderá “no tempo adequado”, deixando claro, porém, que a Rússia não aceitará qualquer acordo que não contemple suas condições estratégicas.
Segundo o governo russo, o documento é composto por uma série de propostas estruturais, incluindo garantias militares, definição de fronteiras, mecanismos de cessar-fogo e compromissos internacionais de segurança. Entretanto, Moscou argumenta que muitos dos pontos apresentados são incompatíveis com a realidade do conflito e com o que a Rússia considera “fatos irreversíveis” no terreno, especialmente no que diz respeito ao controle sobre regiões anexadas.
O presidente Vladimir Putin voltou a reforçar que qualquer acordo de paz só será possível se a Ucrânia retirar suas tropas das áreas que a Rússia reivindica como parte de seu território. A linguagem adotada pelo Kremlin indica que Moscou pretende se mostrar aberta ao diálogo, mas sem abrir mão de posições que considera essenciais. Para observadores internacionais, essa postura demonstra que, embora a Rússia aceite discutir o plano, não há disposição concreta para concessões significativas.
A iniciativa diplomática liderada pelos Estados Unidos ocorre em meio a crescente pressão internacional para que uma solução negociada seja buscada. A Europa enfrenta fadiga política e econômica com a continuidade da guerra, enquanto o governo americano tenta evitar uma escalada que possa envolver diretamente países da OTAN. A apresentação oficial de um plano conjunto é vista como tentativa de reposicionar Washington como protagonista do processo.
Na Ucrânia, a proposta divide opiniões. Autoridades de Kiev insistem que não aceitarão qualquer acordo que implique perdas territoriais permanentes, enquanto aliados europeus pressionam por negociações realistas diante do desgaste prolongado do conflito. Apesar disso, o governo ucraniano decidiu participar da elaboração do documento para não ser isolado politicamente e para manter apoio militar e econômico do Ocidente.
Moscou, porém, vê a versão apresentada como insuficiente e afirma que o plano original — debatido informalmente meses atrás — atendia melhor aos “interesses de segurança” da Rússia. A declaração reforça a leitura de que o Kremlin tentará usar o processo de negociação como instrumento para ampliar sua margem de manobra diplomática e militar.
Analistas alertam que, mesmo com a entrega formal do plano, um cessar-fogo imediato é improvável. A Rússia mantém operações militares ativas em várias frentes, e a Ucrânia continua insistindo em recuperar territórios ocupados. Além disso, a exigência russa de que Kiev abra mão de reivindicações territoriais vai contra a posição pública do governo ucraniano, o que cria um impasse por definição.
O próximo passo deve ser uma nova rodada de conversas em Moscou entre emissários russos, representantes americanos e intermediários internacionais. Ainda assim, a expectativa é de que as negociações avancem lentamente — com cada lado tentando se posicionar da forma mais vantajosa possível antes de qualquer cessar-fogo definitivo.
Ao confirmar que recebeu o plano, o Kremlin tenta enviar uma mensagem dupla: mostra-se disposto a discutir alternativas diplomáticas, mas deixa claro que a guerra não terminará sem o reconhecimento formal, por parte da Ucrânia, das conquistas territoriais russas. Com isso, a Rússia preserva sua posição política e militar enquanto transfere ao Ocidente a responsabilidade por eventuais fracassos no processo de paz.


