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Marco Rubio fala em “tremendo progresso” no plano de paz para a Ucrânia

Da Redação

Secretário de Estado dos EUA afirma que negociações em Genebra avançaram em um pacote de 28 pontos, mas acordo ainda depende da Rússia; proposta prevê congelamento de linhas de contato e neutralidade permanente da Ucrânia.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste domingo que Washington e Kiev fizeram “tremendo progresso” no plano de paz discutido com a delegação ucraniana em Genebra, na Suíça. Segundo ele, o pacote — composto por 28 pontos estruturais — foi amplamente consolidado, embora aspectos sensíveis ainda precisem de definição final e de aprovação russa para que qualquer acordo seja viável.

Rubio descreveu a rodada de negociações como “intensa” e disse que o objetivo principal foi reduzir pontos em aberto entre as versões diferentes do documento. Embora tenha evitado detalhar quais temas permanecem travados, classificou a fase atual como “muito delicada”, sugerindo que divergências ainda existem sobre questões de segurança, formulações de linguagem e compromissos políticos de longo prazo.

De acordo com relatos anteriores da imprensa internacional, o plano de paz trabalhado em Genebra inclui elementos controversos: o reconhecimento de fato do controle russo sobre a Crimeia e o Donbass; o congelamento das linhas de contato atuais nas regiões de Zaporozhye e Kherson; a retirada das forças russas de territórios fora dessas zonas; a limitação do efetivo militar ucraniano a cerca de 600 mil soldados; e a garantia de que a Ucrânia permanecerá fora da OTAN. O pacote também prevê dispositivos de supervisão internacional e mecanismos de verificação de cessar-fogo.

Rubio afirmou que “alguns problemas são meramente semânticos”, enquanto outros dependem de “decisões de nível mais alto” ou de consultas com países envolvidos indiretamente, especialmente europeus e membros da aliança militar ocidental. Dessa forma, pontos relativos à União Europeia e à OTAN foram deslocados para uma “via separada”, dado que sua implementação exige aval formal dessas instituições.

Perguntado sobre o papel da Rússia, Rubio ressaltou que o país “obviamente tem direito a voto” no processo, deixando claro que qualquer acordo negociado com Kiev precisa ser levado a Moscou para validação. O secretário afirmou que, caso Washington e Kiev fechem consenso, “o que conseguirmos terá de ser apresentado aos russos”.

O presidente Vladimir Putin reconheceu que Moscou recebeu a proposta de paz enviada pelos Estados Unidos, mas disse que ainda não a discutiu “em detalhes”. Segundo ele, o documento “poderia servir de base” para um acordo definitivo, embora o Kremlin já tenha sinalizado desconforto com o que classificou como “diplomacia de megafone” — a publicização excessiva das negociações antes que haja consenso.

Este novo movimento sinaliza que Washington tenta consolidar uma solução negociada antes da intensificação do inverno e possivelmente antes de mudanças políticas internas nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Kiev enfrenta pressões crescentes para aceitar termos que congelam a atual divisão territorial de fato, enquanto Moscou busca garantias de segurança e neutralidade que alterariam de maneira estrutural o posicionamento estratégico da Ucrânia.

Para analistas, a insistência de Rubio em destacar que “estamos quase lá” indica que os EUA desejam avançar sobre um marco próprio de pacificação capaz de reposicionar sua liderança global após anos de impasse militar. Entretanto, a viabilidade real do acordo dependerá da disposição russa de aceitar limites territoriais e das condições políticas internas de Kiev para validar concessões sensíveis.

O clima permanece volátil: qualquer movimento unilateral pode reverter a confiança construída nas negociações, e o risco de escalada persiste enquanto não houver cessar-fogo formal. Ainda que o pacote de 28 pontos tenha avançado, a fase decisiva — a resposta russa — continua pendente.