Professor Andson Andrade apresenta as ações do Museu Escola de Arte, que completa dez anos levando memória, cultura e cinema itinerante a municípios do Ceará
O programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas na TV Atitude Popular, recebeu o professor de Letras e gestor cultural Andson Andrade para discutir museologia social e as ações do Museu Escola de Arte, projeto que nasceu no Crato e hoje percorre diversas cidades do Ceará em formato itinerante.
Durante a entrevista, Andson destacou que a museologia social surge como contraponto ao modelo tradicional de museu, priorizando o território e a participação comunitária. “Museologia social é um movimento prático de transformação nas comunidades”, afirmou. Segundo ele, trata-se de uma atuação crítica, voltada para o resgate da memória, da cidadania e dos direitos humanos, com foco nas histórias do povo.
Do território do Gesso ao Ceará inteiro
O Museu Escola de Arte foi criado em 2016, no Território Criativo do Gesso, no Crato. Instalado inicialmente em um espaço simples às margens da linha férrea, o projeto começou com a proposta de valorizar personagens e saberes locais.
Uma das primeiras homenagens foi dedicada a Raimunda de Canena, educadora autodidata que alfabetizou gerações no município. Mesmo sem formação acadêmica, ela se tornou referência na comunidade. “Ela formou muitos cidadãos no município do Crato”, destacou Andson, ressaltando que o museu também se propõe a refletir criticamente sobre práticas do passado, como o uso da palmatória, que marcou a história da educação popular.
Desde então, o projeto ampliou seu alcance. Oficinas de pintura em esculturas de gesso e em telhas passaram a integrar as ações, especialmente em comunidades rurais. O objetivo era descentralizar a cultura. “A gente pensou em um museu na zona urbana, mas valorizando a zona rural”, explicou.
Museu itinerante de Luiz Gonzaga
Hoje, o carro-chefe do projeto é o museu itinerante dedicado a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
A exposição já passou por municípios como Sobral, Tianguá, Coreaú e Canindé. O acervo reúne discos antigos, radiola demonstrativa, pilão, ferro a brasa, literatura de cordel e outros objetos que remetem ao cotidiano nordestino.
Andson fez questão de esclarecer que as peças não pertencem ao artista. “Eu não vou cair na irresponsabilidade de dizer que esse pilão foi da casa de Luiz Gonzaga. Não posso”, afirmou, explicando que a maior parte do acervo original do cantor está preservada em Exu, Pernambuco.
Além da exposição, o projeto incorporou um cinema itinerante, adquirido com apoio de editais culturais do município do Crato, como as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc. As sessões exibem documentários sobre a trajetória de Gonzaga, incluindo sua saída de Exu, passagem pelo Crato, alistamento no Exército e as desilusões amorosas que marcaram sua juventude.
“É um documentário que desperta emoções”, relatou o professor. Em comunidades rurais, moradores afirmaram desconhecer detalhes da biografia do artista, o que reforça a importância da iniciativa.
Educação e reconstrução de vínculos
Em 2022, uma das exposições foi levada a uma escola em Sobral após um episódio de violência que resultou no fechamento temporário da instituição. A ação cultural ajudou a reconstruir o ambiente escolar. “A gente se viu na obrigação de fazer alguma coisa para reaver a paz e o sossego dentro da educação”, disse.
A presença dos estudantes, com fanfarra e participação ativa nas atividades, marcou o início da expansão regional do projeto.
Ponto de cultura e ponto de memória
O Museu Escola de Arte é reconhecido como Ponto de Cultura por legislação municipal e como Ponto de Memória em âmbito federal. Atualmente, encontra-se instalado de forma itinerante em área de assentamento em Canindé, onde foi acolhido pela comunidade.
Segundo Andson, a museologia social enfrenta poucos registros teóricos na literatura, mas tem se consolidado na prática. Ele citou como exemplo o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, referência nacional em museologia comunitária.
“Precisamos arquivar a nossa história para as futuras gerações”, defendeu.
Desafios e perspectivas
Apesar do reconhecimento regional e da repercussão na imprensa local, o principal desafio hoje é o tempo. Além de gestor cultural, Andson atua na educação e cursa uma segunda graduação. Um edital conquistado em 2020 perdeu viabilidade devido à defasagem de valores após anos de atraso na liberação.
Mesmo assim, o projeto segue ativo. Em 2026, o Museu Escola de Arte completa dez anos de existência. A meta é ampliar as ações itinerantes e fortalecer o diálogo com escolas e universidades.
“Não é só trabalhar memória, é trabalhar habilidades artísticas dos nossos alunos”, concluiu Andson, destacando que o museu também desenvolve projetos como Arte nas Escolas, incentivando a produção cultural entre crianças e jovens.
A íntegra da entrevista está disponível no canal da TV Atitude Popular no YouTube.
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