Pré-candidata à Câmara dos Deputados, Larissa Gaspar defende maior participação feminina, combate à violência de gênero, fim da escala 6×1, tarifa zero e políticas nacionais de proteção animal
Da Redação
A deputada estadual Larissa Gaspar afirmou que pretende levar à Câmara dos Deputados a experiência acumulada na defesa dos direitos das mulheres, da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e da proteção animal. Pré-candidata a deputada federal pelo PT, ela também defendeu a pré-candidatura de Luizianne Lins ao Senado e criticou a permanência da extrema direita nos parlamentos.
As declarações foram dadas ao programa Eleições 2026 em Debate, uma realização da Atitude Popular e do Coletivo das Estatais e do Serviço Público do Ceará, com apoio do Sindipetro CE/PI. Apresentada por Sousa Júnior, a edição contou com a participação de Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, como comentarista convidada e entrevistadora.
Durante a conversa, Larissa apresentou parte de sua trajetória nos movimentos culturais, estudantis e feministas, além da atuação como gestora pública, vereadora de Fortaleza e deputada estadual. Advogada e servidora pública municipal, ela foi coordenadora da Casa Abrigo, responsável pelo acolhimento de mulheres ameaçadas de morte, e da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres de Fortaleza.
Ao explicar por que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Larissa afirmou que a eleição do Presidente Lula não encerrou a influência política do bolsonarismo.
“Conquistamos o governo Lula, derrubamos o Bolsonaro, mas o bolsonarismo, o fascismo e a extrema direita persistem principalmente dentro dos parlamentos”, declarou.
Para a parlamentar, a composição do próximo Congresso será decisiva para a sustentação do governo federal e para a aprovação de propostas relacionadas aos direitos sociais. Entre as prioridades mencionadas por ela estão o fim da escala de trabalho 6×1, a redução da jornada de trabalho, a tarifa zero no transporte público e a criminalização da misoginia.
“Nós precisamos de vozes ativas, vozes firmes, que se posicionem de forma crítica, implicadas com a defesa do projeto do Presidente Lula e com o enfrentamento ao ódio e aos ataques da extrema direita”, afirmou.
Mulheres ainda são minoria nos espaços de decisão
A participação feminina na política ocupou parte central da entrevista. Larissa apontou que, embora as mulheres sejam maioria na população e no eleitorado brasileiro, continuam sub-representadas nas câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional.
Segundo ela, essa ausência está relacionada ao machismo, à violência política, à divisão desigual do trabalho doméstico e à sobrecarga das responsabilidades de cuidado.
“O que falta é oportunidade, igualdade de participação e enfrentamento ao machismo e ao peso do trabalho doméstico, para que a gente tenha mais condições de disputar a política”, disse.
Larissa também ressaltou que a ampliação do número de candidaturas femininas não deve ser tratada apenas como uma questão numérica. Para ela, é necessário discutir quais interesses, setores sociais e projetos políticos essas candidaturas representam.
“Não existe democracia sem a presença das mulheres na política”, declarou.
Apoio a Luizianne Lins para o Senado
Questionada por Samira de Castro sobre as semelhanças entre sua trajetória e a de Luizianne Lins, Larissa destacou que ambas começaram a militância nos movimentos estudantis e feministas, foram vereadoras de Fortaleza, deputadas estaduais e servidoras públicas.
Larissa lembrou ainda que ingressou no serviço público municipal por meio de concurso realizado durante a gestão de Luizianne na Prefeitura de Fortaleza.
A deputada afirmou que defende desde o início a pré-candidatura de Luizianne ao Senado por considerar que a parlamentar reúne experiência política, vínculos com os movimentos sociais e compromisso com a defesa dos direitos das mulheres.
“A gente precisa dessa força em Brasília, defendendo os nossos direitos, contribuindo para enfrentar o machismo e fortalecendo os mecanismos de repressão à violência contra a mulher”, afirmou.
Segundo Larissa, as duas pré-candidaturas podem atuar de forma complementar, com Luizianne no Senado e ela na Câmara dos Deputados.
“Identificamos na trajetória da companheira Luizianne um nome que melhor pode representar o nosso estado no Senado”, disse.
Sousa Júnior também defendeu, durante o programa, a participação de Luizianne na chapa majoritária governista. Ele argumentou que a deputada possui capacidade de mobilização entre sindicatos, organizações feministas, movimentos negros, estudantis e LGBTQIA+.
Combate à violência contra as mulheres
Larissa apresentou iniciativas desenvolvidas durante os mandatos na Câmara Municipal de Fortaleza e na Assembleia Legislativa do Ceará. Entre elas estão a criação da Patrulha Maria da Penha no âmbito da Guarda Municipal e a implantação do aluguel social destinado a mulheres ameaçadas de morte.
O benefício foi concebido para atender mulheres que precisam deixar suas casas, mas não encontram vagas em unidades de acolhimento. O auxílio pode ser utilizado para o aluguel de uma pousada, quitinete ou outro local seguro.
A parlamentar também participou da criação da política de distribuição gratuita de absorventes em escolas públicas. A proposta inicial previa atendimento em unidades de saúde e equipamentos da assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social.
Na Assembleia Legislativa, Larissa criou a Frente Parlamentar de Combate à Violência Política de Gênero. Segundo ela, o grupo contribuiu para a primeira condenação registrada no Brasil pelo crime de violência política de gênero, após um vereador de Russas utilizar a tribuna da Câmara Municipal para atacá-la.
A frente atua no acolhimento e na orientação de vereadoras, prefeitas, vice-prefeitas, candidatas e outras mulheres submetidas a ameaças ou tentativas de constrangimento político.
“Afastar as mulheres dos espaços de poder e decisão é também um ataque à democracia”, afirmou.
Pacto contra o feminicídio
Outra iniciativa mencionada foi a proposta de criação do Pacto Cearense contra o Feminicídio, apresentada ao Poder Legislativo estadual em 2025.
O trabalho reúne representantes do Legislativo, Executivo, Judiciário, universidades, conselhos, organizações da sociedade civil e movimentos de mulheres. O objetivo é avaliar as políticas já existentes e elaborar novas medidas para prevenir crimes, qualificar o atendimento às vítimas e acelerar a responsabilização dos agressores.
Larissa disse que a proposta cearense antecedeu o Pacto Nacional contra o Feminicídio lançado pelo governo federal em 2026.
A parlamentar também assumiu, em maio, a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Uma das prioridades é ampliar a presença das procuradorias nos municípios do interior.
Atualmente, segundo Larissa, o serviço está presente em 118 cidades. A meta é alcançar os 184 municípios cearenses.
A deputada citou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública segundo os quais a violência contra as mulheres possui incidência elevada em municípios com até 50 mil habitantes. Para ela, a situação está relacionada à ausência de delegacias especializadas, defensorias públicas, unidades de acolhimento e procuradorias da mulher.
“São justamente esses municípios que não possuem estruturas para enfrentar a violência”, explicou.
Criminalização da misoginia
No Congresso Nacional, Larissa pretende defender a aprovação de uma legislação que criminalize a misoginia e os discursos de ódio dirigidos às mulheres.
Ela argumentou que esse tipo de violência pode avançar das agressões verbais e campanhas de perseguição para ameaças, violência sexual, agressões físicas e feminicídios.
“Reconhecer que os discursos de ódio contra as mulheres são criminosos e devem ser tratados como crime é um passo importante para impedir que essa violência continue escalando”, afirmou.
A deputada também defendeu a destinação de recursos federais para as políticas de proteção às mulheres. Segundo ela, o Brasil possui leis e instituições relevantes, mas muitos serviços funcionam sem orçamento suficiente ou não chegam às cidades menores.
Além da prevenção à violência, Larissa destacou a necessidade de fortalecer políticas públicas de cuidado, creches, restaurantes populares, lavanderias públicas, qualificação profissional e autonomia econômica.
“O trabalho de cuidar é trabalho e precisa ser tratado dessa forma”, afirmou.
Educação sobre direitos
A pré-candidata disse que o trabalho parlamentar não deve se limitar à elaboração e à votação de leis. Para ela, deputados e senadores também devem explicar à população quais direitos foram aprovados e como podem ser reivindicados.
Larissa citou legislações como as leis Maria da Penha, Mariana Ferrer, Carolina Dieckmann e Joanna Maranhão. Embora tenham criado instrumentos importantes de proteção, parte da população desconhece seu conteúdo.
“Entendo que o papel do parlamentar é também fazer esse processo de educação, levar para a população o conhecimento dos seus direitos e a forma de efetivá-los”, disse.
A atuação nas escolas também foi mencionada como instrumento de prevenção. Larissa afirmou que seu mandato participa de atividades com estudantes e profissionais da educação para discutir violência de gênero, redes sociais e conteúdos associados a grupos misóginos.
Fim da escala 6×1 e tarifa zero
Larissa afirmou que pretende integrar, na Câmara dos Deputados, as discussões pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada semanal de trabalho.
Para ela, a organização atual do trabalho compromete o descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores.
A parlamentar criticou representantes da direita que se opõem à mudança enquanto, segundo ela, defendem seus próprios privilégios.
“Não querem trabalhar, mas querem que a população morra de trabalhar para sustentar os privilégios deles”, declarou.
Outra prioridade será a implantação de programas de tarifa zero no transporte público. Larissa disse que já tratou do tema na Câmara Municipal de Fortaleza e na Assembleia Legislativa e pretende nacionalizar a discussão.
“A gente quer ver a tarifa zero implementada em todo o país”, afirmou.
Proteção e bem-estar animal
A defesa dos animais também foi abordada durante o programa. Samira de Castro informou que Larissa apresentou mais de 28 proposições relacionadas ao tema na Assembleia Legislativa.
Na Câmara Municipal, ela foi autora da proposta que proibiu fogos de artifício com estampido em Fortaleza. A parlamentar afirmou que chegou a ser ameaçada de morte em razão da aprovação da lei e precisou ingressar no programa de proteção aos defensores de direitos humanos.
Larissa também participou da ampliação da proibição da tração animal na capital. A legislação anterior se restringia ao transporte de materiais da construção civil. A mudança passou a abranger outras formas de exploração de animais para transporte de cargas.
Entre as proposições estaduais citadas por ela estão o reconhecimento dos animais comunitários, a criação de centros públicos de castração e acolhimento, o apoio a tutores de baixa renda e as campanhas de adoção responsável.
Na Câmara dos Deputados, Larissa pretende defender a destinação de recursos federais para castrações e para entidades que acolhem animais abandonados.
“Os abrigos são conduzidos pela sociedade civil e muitas vezes não têm a estrutura necessária. Esse trabalho precisa de suporte institucional do poder público”, afirmou.
Renovação do Congresso
Na parte final da entrevista, Larissa relacionou sua pré-candidatura a um movimento de renovação das bancadas progressistas no Congresso.
Ela defendeu maior espaço para mulheres, jovens, pessoas negras, integrantes da população LGBTQIA+ e representantes dos movimentos sociais.
Segundo a deputada, esses setores são fundamentais para enfrentar o bolsonarismo, apoiar as políticas do governo Lula e ampliar os direitos sociais.
“A militância digital também é fundamental para fortalecer o debate democrático, enfrentar a extrema direita e garantir a nossa soberania. Mas a militância não pode ser só nas redes. É nas ruas e nas redes”, concluiu.
A íntegra da entrevista pode ser assistida no canal da TV Atitude Popular:
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