Em entrevista ao programa Democracia no Ar, Reynaldo Aragon analisa como a narrativa do “narcoterrorismo” transforma o Rio de Janeiro em laboratório da guerra híbrida e denuncia a tentativa de setores da extrema direita e dos EUA de minar a soberania nacional
No programa Democracia no Ar, transmitido pela TV e Rádio Atitude Popular, os jornalistas Sara Goes e Reynaldo Aragon discutiram os desdobramentos da chacina no Rio de Janeiro e o avanço da narrativa do “narcoterrorismo”. A conversa partiu do artigo publicado por Aragon no site Código Aberto, intitulado “A farsa do narcoterrorismo: como o Rio virou laboratório da guerra híbrida contra o Brasil”, em 5 de novembro de 2025. O texto, que viralizou e foi repercutido internacionalmente, questiona a articulação entre o governador Cláudio Castro, o governo dos Estados Unidos e setores da extrema direita brasileira.
“O que aconteceu no Rio foi uma operação de extermínio patrocinada por um governo canalha, de extrema direita, que tentou transformar o terror em espetáculo midiático e oportunidade política”, afirmou Aragon. Segundo ele, o termo “narcoterrorismo” foi introduzido no debate nacional de forma calculada, servindo como justificativa para que Washington amplie sua influência sobre a segurança pública brasileira sob o pretexto de combater o crime organizado.
A linha do tempo traçada por Sara Goes durante o programa reforçou a tese. Em outubro de 2024, durante reunião com governadores, Cláudio Castro rejeitou a PEC da Segurança Pública e passou a repetir o termo “narcoterrorismo”. Poucos meses depois, em maio de 2025, o governador entregou um relatório ao governo norte-americano – articulado por Flávio Bolsonaro – propondo enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro, a operação “Contenção”, no Complexo da Penha, resultou em mais de 130 mortes, quase todas de moradores sem qualquer relação com o tráfico.
Para Aragon, a operação serviu de gatilho para consolidar a farsa. “Não existe narcoterrorismo no Brasil. Existe um país desigual, racista, que transforma a pobreza em inimigo interno”, declarou. O pesquisador contextualizou o episódio dentro de uma lógica de guerra híbrida, na qual potências estrangeiras buscam desestabilizar governos soberanistas latino-americanos sem recorrer a tanques ou invasões, mas através da manipulação de narrativas, lawfare e cooptação de elites locais.
Ele destacou o papel de figuras como Martin De Luca, advogado ligado a empresas do ex-presidente Donald Trump, que estaria à frente da “incubação jurídica” dessas estratégias para permitir interferência externa sob pretexto antiterrorista. “Dominar a América Latina é uma questão existencial para os Estados Unidos. Eles estão em decadência e precisam subjugar nossos povos para manter o império vivo”, afirmou.
A análise geopolítica de Aragon abrangeu ainda o cerco à Venezuela, a militarização do Caribe e a influência estadunidense sobre governos de direita no continente, como o de Javier Milei, na Argentina. Segundo ele, o Brasil é hoje o principal alvo de desestabilização, por ser o maior país da região e um dos poucos com projeto soberanista em curso. “O objetivo é isolar o governo Lula e transformar qualquer reação a essa política em complacência com o crime organizado”, alertou.
Sara Goes complementou com uma reflexão sobre a dimensão simbólica dessa guerra. “Transformar o medo em instrumento político é uma jogada de mestre. O discurso da extrema direita é eficaz porque fala de algo concreto: a insegurança cotidiana. Não se combate esse tipo de narrativa com abstrações, mas com comunicação inteligente e sensível à realidade das pessoas”, observou.
O programa também abordou a seletividade da violência policial e a indiferença social diante da morte de jovens negros e pobres. “Quem está morrendo é o preto, o pobre, o favelado. Para as elites, é apenas eugenia, limpeza social”, lamentou Aragon, ao criticar a normalização da barbárie.
📌 Assista na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=36exdNlSyZw
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