Em entrevista ao Democracia no Ar, o analista político Paulo Ricardo Paes afirma que o império americano tenta manter sua hegemonia à custa da soberania latino-americana e aponta o Brasil de Lula como peça-chave na reconfiguração geopolítica mundial
Em entrevista ao programa Democracia no Ar, exibido em 17 de outubro de 2025 pela TV Atitude Popular, o analista político Paulo Ricardo Paes, criador do canal Visão Calidoscópica, conversou com o apresentador Reynaldo Aragon sobre o papel dos Estados Unidos na atual conjuntura mundial e os desafios do Brasil diante da disputa global por poder e recursos estratégicos.
Durante o diálogo, Paes destacou que o Brasil vive um momento decisivo em sua política externa, em meio à reaproximação diplomática entre Lula e Donald Trump, prevista para ocorrer em uma cúpula internacional no fim do mês. Para ele, o encontro simboliza a tensão entre dois modelos de mundo: de um lado, o império americano em decadência, e de outro, as nações que buscam afirmar sua soberania e multipolaridade.
“Os Estados Unidos vivem de guerra, eles precisam fazer guerra”, afirmou Paes. “A economia deles depende da indústria bélica. Quando não há conflito, as ações dessas empresas caem. É um império que se alimenta do caos.”
Soberania inegociável
Segundo o analista, o governo Lula tem conseguido reposicionar o Brasil como ator relevante no tabuleiro geopolítico, sem abrir mão da soberania nacional. Paes citou a nota conjunta emitida após o encontro entre o chanceler Mauro Vieira e autoridades americanas como sinal de um novo equilíbrio nas relações bilaterais.
“O Brasil não vai abrir mão de sua soberania para negociar com os Estados Unidos. Parece que eles finalmente entenderam isso e vão começar a respeitar”, afirmou.
Paes ressaltou que o interesse americano nas terras raras brasileiras — minerais essenciais para a indústria tecnológica e militar — precisa ser tratado com cautela. “Não é entregando nossas jazidas que resolveremos os problemas. Devemos vender o que produzimos e desenvolver nossa própria indústria, com transferência de tecnologia e geração de emprego e renda.”
Venezuela e o espectro da guerra
A conversa também abordou a crescente tensão na Venezuela, vista pelos EUA como área de influência e, por analistas latino-americanos, como um novo campo de teste da política imperialista.
“Toda vez que os Estados Unidos decidem espalhar ‘liberdade’, eles destroem países e deixam fantoches no poder”, alertou Paes. “Uma intervenção na Venezuela seria desastrosa, não só para eles, mas para toda a região amazônica.”
O convidado destacou o papel do Brasil como mediador e fiador da paz no continente: “O Brasil tem a oportunidade de conduzir o diálogo entre os países e evitar que a América do Sul se torne mais um palco de guerra”.
Brics, China e o império em decadência
Para Paulo Ricardo Paes, a manutenção e o fortalecimento dos Brics são fundamentais para que o Brasil se emancipe da órbita norte-americana. Ele defendeu a parceria com China e Rússia como caminho para a construção de uma nova ordem econômica e tecnológica.
“Os Estados Unidos estão em decadência. Todo império luta contra sua própria ruína, mas é inevitável. O mundo está mudando, e o Brasil precisa caminhar com quem quer crescer junto, não com quem quer dominar.”
O analista explicou que o país asiático compreendeu, há décadas, a importância estratégica dos semicondutores e das terras raras. “A China investiu em refino e subprodutos, e hoje domina o mercado. O Brasil deve seguir esse exemplo e deixar de vender pó de minério para importar chips caríssimos.”
A Rota da Seda e o novo papel do Brasil
Paes destacou ainda o papel do Brasil no projeto chinês da Nova Rota da Seda, que deve ganhar novo impulso com a ferrovia bioceânica, ligando o Atlântico ao Pacífico. O projeto, aprovado na cúpula dos Brics, integraria os portos latino-americanos às rotas comerciais da Eurásia.
“Essa ligação direta com o Pacífico vai libertar a América do Sul da dependência do Canal do Panamá e consolidar o Brasil como potência logística. É o caminho natural da integração continental.”
Lula e o soft power brasileiro
Ao longo da entrevista, Paulo Ricardo Paes ressaltou o papel singular de Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional. Para ele, Lula representa uma liderança rara, capaz de dialogar com potências rivais e conquistar respeito global.
“O Lula é hoje o estadista vivo mais importante do mundo. Ele mostra que inteligência e sensibilidade podem andar juntas. O conhecimento não vem só da universidade, vem da vida. E é isso que o mundo admira nele.”
Segundo o analista, a firmeza do presidente brasileiro tem reposicionado o país como referência moral e política. “Lula é o oposto do bolsonarismo submisso. Enquanto um se ajoelhava diante dos Estados Unidos, o outro olha nos olhos e fala de igual para igual.”
Um império que teme a paz
A entrevista terminou com uma reflexão sobre o papel destrutivo da economia de guerra norte-americana e o potencial pacifista do Brasil.
“Os Estados Unidos precisam de conflitos para se manter. Já o Brasil, se apostar na paz, pode se tornar o grande mediador do século XXI”, afirmou Paes.
Para o analista, a verdadeira disputa global não é entre direita e esquerda, mas entre a política da guerra e a política da vida. “Enquanto uns vendem armas, outros constroem pontes. O futuro da humanidade depende de qual caminho escolheremos.”
🎥 Assista à entrevista completa no YouTube
📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 33.829.340/0001-89


