No Café com Democracia, escritor Alexandre Braga apresenta romance policial-fantástico e explica o “tapete verde” como metáfora do que se tenta esconder
A edição do programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas na Rádio e TV Atitude Popular, abriu espaço para a cultura e a literatura ao receber o escritor e poeta Alexandre Braga. O tema do encontro foi O velho truque debaixo do tapete verde, romance policial com elementos de fantasia que o autor descreve como uma obra guiada por mistério, dedução e, sobretudo, pela observação da natureza humana.
A conversa foi transmitida por uma rede de rádios comunitárias e plataformas digitais, e teve como ponto de partida a proposta do programa de valorizar arte e cultura em diálogo com o público. O episódio também reforçou o papel das emissoras comunitárias na circulação de produções independentes, convidando a audiência a participar com comentários, compartilhamentos e apoio financeiro.
Segundo o relato apresentado no programa, a origem do livro é íntima: Alexandre contou que sua principal fonte de inspiração veio da própria família. A protagonista, Marla, teria sido construída a partir da figura de sua avó, descrita como uma mulher de presença forte e liderança marcante.
“Eu sempre fui uma pessoa muito família. Família é tudo para mim.”
Marla, explicou o autor, é uma matriarca e uma líder em uma sociedade com predominância feminina na governança. Já Castrovis, personagem central de um conflito que atravessa a trama, foi inspirado em seu avô — inclusive no histórico familiar de problemas cardíacos, elemento que se torna relevante para o enredo.
No programa, Alexandre detalhou que o romance se organiza em torno de uma tentativa de assassinato: alguém utiliza um medicamento tomado por Castrovis — chamado por ele de “pó” ou remédio do personagem — em dosagem exagerada, para simular uma morte por infarto e fazê-la parecer natural.
“A pessoa tenta fazer parecer que foi uma morte natural sem ser.”
Esse aspecto, segundo o escritor, é uma chave de leitura do título e do universo simbólico da obra, que se apoia na ideia de ocultação e disfarce. Ao ser convidado a comentar a capa, Alexandre disse que ela reúne elementos fundamentais do livro: uma sombra que sugere o mistério, uma lupa associada à investigação e o “tapete verde”, entendido como referência visual ao truque narrativo que dá nome ao romance.
Durante o programa, ele leu um trecho em que a expressão é explicada de modo direto:
“Fazer algo parecer natural sem ser. O que está em jogo é o que está debaixo desse tapete verde.”
A influência literária de Alexandre também foi tema do diálogo. Ele afirmou ter admiração pela simplicidade refinada de Agatha Christie e pela profundidade de J.R.R. Tolkien, autores que, embora muito diferentes, o inspiram por caminhos opostos.
“Eu gosto do Tolkien pela profundidade e da Agatha Christie pela simplicidade… Ser simples sem ser simplista, aí que está o desafio.”
Entre as referências brasileiras, Alexandre citou Rachel de Queiroz, Machado de Assis e Lygia Fagundes Telles, destacando especialmente O Quinze como exemplo de narrativa “simples e profunda”. Para ele, o regionalismo e a força da escrita de Rachel demonstram como é possível construir uma obra acessível sem perder densidade.
No campo do romance policial, Alexandre disse buscar um princípio clássico do gênero: ser “justo” com o leitor. Para ele, o culpado precisa ser surpreendente, mas coerente, de modo que a revelação faça sentido retrospectivamente.
“O criminoso tem que ser uma pessoa que o leitor não desconfie, mas que ao mesmo tempo faça sentido… Tem que dar aquele ‘puxa, por que eu não pensei nisso antes?’”
Ele também comentou a predileção pela detetive Miss Marple, de Agatha Christie, pela forma como ela investiga a partir de observação e intuição, associando comportamentos a padrões humanos — influência que, segundo Alexandre, ajudou a inspirar uma personagem secundária da obra, Dona Chileiva, avó de Marla.
A conversa ainda situou o livro em um universo próprio, com mitologia e entidades que regem criação e destruição. Alexandre descreveu um mundo fundado por forças antagônicas, no qual a construção do universo está sempre em tensão com a energia destrutiva — um pano de fundo que dá à narrativa um contorno filosófico e abre caminho para outros projetos literários.
No fim do programa, o autor divulgou que pretende realizar um lançamento no primeiro semestre, projetando o período próximo a junho, e orientou o público a acompanhar suas atualizações em seu site.
Entre reflexões sobre maturidade criativa e processo de escrita, Alexandre resumiu seu caminho como um exercício de persistência — com uma frase que marcou o episódio.
“Ser vitorioso é diferente de estar vitorioso.”
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