Engenheira Francemarie Teodosio detalha o antiprojeto “Carona Amiga Monitorada e Subsidiada”, que integra caronas cadastradas, micro-ônibus e metrô para reduzir tempo de deslocamento e ampliar a oferta de mobilidade em Fortaleza
No Café com Democracia de 16 de outubro de 2025, a engenheira civil Francemarie Teodosio, especialista em projetos públicos, apresentou o esboço do Projeto “Carona Amiga Monitorada e Subsidiada”. A entrevista, conduzida por Luiz Regadas, é a base desta reportagem. Logo no início, a convidada explicou que se trata de um estudo preliminar: “É um desenho ainda, é um antiprojeto”, disse, reforçando que o objetivo é somar ao sistema existente, e não substituí-lo: “Seria mais uma forma de integrar e ofertar mais um serviço pra população”.
Como funcionaria
O desenho proposto parte de estações fixas e provisórias nos bairros, conectadas às estações de metrô e a terminais. A lógica é a da carona programada via aplicativo público: motoristas cadastrados informam rotas e horários; usuários se inscrevem para embarcar em pontos definidos ao longo do trajeto. “Você já vai com as pessoas certas… já tem aquilo cadastrado no sistema”, explicou Francemarie, sublinhando a preocupação com segurança e monitoramento de motoristas e passageiros.
O subsídio entraria por um sistema de créditos (pontuação) acumulados por quem oferece vagas no próprio deslocamento — créditos que poderiam ser abatidos em combustível ou compras. A engenheira foi transparente sobre o estágio da proposta: a modelagem de custos e as faixas de compensação ainda não foram fechadas.
Integração com a rede e papel do poder público
Para a convidada, a chave é integrar modais e desafogar o Centro: linhas alimentadoras (com micro-ônibus operados por cooperativas) levariam passageiros até o metrô, evitando que toda a frota atravesse os eixos mais congestionados. A gestão do aplicativo seria municipal, com execução compartilhada com cooperativas — algo semelhante ao arranjo público-privado usado nas bicicletas públicas. “A ideia é monitorar e dar segurança”, reforçou.
Por que agora
A motivação, segundo Francemarie, nasce de uma queixa recorrente: tempo perdido e atrasos. Há trabalhadores que “perdem quatro horas do dia só com transporte”, especialmente quando a origem está em áreas periféricas ou municípios da Região Metropolitana. A carona amiga seria programada (para consultas, compromissos e rotas diárias) e complementar aos ônibus, VLTs e metrô. “Não é voltar ao passado, é evolução”, respondeu quando provocado sobre a adoção de serviços circulares nos centros.
Segurança em primeiro plano
Questionada sobre riscos replicados de casos envolvendo apps de corrida, a engenheira defendeu camadas de segurança: cadastro com verificação, identificação mútua no embarque, rastreamento de viagens e pontos oficiais de embarque/desembarque. “É uma coisa segura”, afirmou, ao descrever a dinâmica semelhante à de aplicativos de mobilidade — porém com controle público.
Piloto territorial e mobilidade de proximidade
O projeto-piloto miraria a região do Rodolfo Teófilo, onde a equipe atua em associação comunitária e comitê popular. A proposta inclui um braço de mobilidade de proximidade para idosos — o “tricicletar/pedale idoso” — acoplado às estações de bicicleta, com treinamento específico para garantir assistência em percursos curtos (farmácia, mercado, unidade de saúde).
Gargalos e resistências
As dúvidas do público — como a da ouvinte Bel Castro, que teme a reação do consórcio de ônibus — foram enfrentadas com a premissa de complementaridade e governança municipal. O desenho não elimina linhas nem subtrai oferta: reorganiza fluxos e preenche vazios onde a demanda é difusa ou intermitente. Sobre faixas exclusivas para motos, Francemarie ponderou o impacto viário: “Complicado… nossas vias não são muito largas e tudo vai congestionar ainda mais”, sugerindo estudo técnico antes de qualquer decisão.
O que se ganha
Se sair do papel, o “Carona Amiga” pode:
Reduzir tempos porta-a-porta, ao aproximar população e metrô em rotas alimentadoras e caronas programadas;
Aumentar a confiabilidade (viagens agendadas, motoristas e passageiros identificados);
Ampliar a oferta em horários e eixos com baixa atratividade comercial para o ônibus;
Gerar renda complementar para motoristas cadastrados, via créditos;
Melhorar a qualidade de vida, convertendo horas de deslocamento em tempo com família e lazer.
Ao final, a engenheira resumiu o espírito da proposta: integração, segurança e incentivo. E deixou o convite para o debate qualificado com associações, conselhos e operadores: “A ideia é integrar o sistema e trazer mais conforto e qualidade de vida”.
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