Reajuste de 7,74%, data-base ignorada e pressão nas ruas marcam a agenda dos servidores cearenses em 2026
Em entrevista ao Programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas, o coordenador do MOVA-SE, Pádua Araújo, fez um amplo balanço da luta dos servidores públicos do Ceará por reajuste salarial em 2026, denunciou a ausência de uma contraproposta do governo estadual e convocou a categoria à mobilização permanente. A entrevista foi exibida pela Rádio e TV Atitude Popular e integra a rede de comitês populares pela democracia.
Logo na abertura, Pádua situou o momento político como decisivo. Segundo ele, 2026 é um “ano histórico”, tanto para consolidar um projeto de sociedade menos desigual quanto para enfrentar a extrema direita no país. “Vamos pra luta. É um ano importantíssimo, um ano-chave para derrotar de vez os fascistas no Brasil”, afirmou.
Reajuste de 7,74% e silêncio do governo
O centro da entrevista foi a campanha salarial dos servidores estaduais. Pádua explicou que o MOVA-SE integra a mesa central de negociações com o governo do Ceará e que a proposta de reajuste para 2026 foi apresentada ainda em outubro do ano passado. O índice reivindicado é de 7,74%, cálculo que soma a inflação do período com o crescimento econômico do estado.
“Essa é a proposta dos trabalhadores. Um reajuste humano, que considera a inflação e o crescimento do Ceará”, destacou. Apesar disso, o dirigente relatou que, até o fim de 2025, não houve qualquer sinalização oficial do governo quanto ao índice, nem a apresentação de uma contraproposta.
Segundo Pádua, novas tentativas de diálogo foram feitas já em 2026, incluindo conversas com o líder do governo na Assembleia Legislativa. “Compreendemos que há condições objetivas de dar um reajuste digno. O que pesa hoje é a vontade política”, afirmou.
Data-base descumprida
Durante a entrevista, Pádua lembrou que existe uma lei estadual, aprovada em 2012 com participação do próprio MOVA-SE, que estabelece 1º de janeiro como data-base dos servidores. Pela legislação, o reajuste deveria ser definido previamente e pago já no salário de fevereiro.
“Se a lei fosse respeitada, o índice já estaria definido e o salário reajustado já estaria na conta do trabalhador. Até agora, nenhuma sinalização”, criticou.
Ele também esclareceu que não existe impedimento eleitoral para a concessão de reajuste salarial, mesmo em ano de eleição. “Não há vedação jurídica nenhuma. Reajuste salarial já é previsto em lei. Pode ser dado em qualquer momento do ano”, explicou, rebatendo argumentos recorrentes usados para adiar negociações.
Perdas históricas e governo Elmano
Ao tratar das perdas acumuladas, Pádua citou estudos do DIEESE e da Fundação SINTAF que apontam cerca de 37% de perdas salariais desde o governo Camilo Santana. No entanto, fez uma diferenciação em relação à atual gestão de Elmano de Freitas.
“No governo Elmano tivemos reajustes todos os anos. Em 2024, inclusive, foi acima da inflação, com inflação mais 1%”, reconheceu. Ainda assim, ressaltou que os ganhos reais foram limitados e que persistem pendências, especialmente com aposentados e categorias administrativas da saúde e do sistema penitenciário.
EMATERCE, demissões e conflito judicial
Outro ponto forte da entrevista foi a situação dos trabalhadores da EMATERCE e de outras empresas públicas. Pádua denunciou demissões unilaterais, mesmo de servidores com mais de 40 anos de contribuição, e criticou decisões contraditórias da Justiça do Trabalho.
“Tem trabalhador reintegrado por um juiz e, no outro dia, outro magistrado derruba a liminar. Isso não nos entristece, nos dá mais vontade ainda de lutar”, afirmou. Ele lembrou que o reajuste desses trabalhadores depende do índice geral do funcionalismo, ainda indefinido pelo governo.
Críticas duras a Ciro Gomes
Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, Pádua fez duras críticas ao ex-governador Ciro Gomes, acusando-o de histórico de perseguição aos servidores públicos. Ele relembrou episódios envolvendo a EMATERCE e afirmou que defender Ciro, do ponto de vista do funcionalismo, é “um tiro no pé”.
“Servidor público defender Ciro Gomes é o mesmo que tomar veneno. Ele vai perseguir você”, disse. Para Pádua, o ex-governador não tem trajetória coerente e hoje se alinha politicamente a setores da extrema direita.
Mobilização nas ruas
Ao final, Pádua reforçou o calendário de mobilizações unificadas. Destacou o bloco carnavalesco organizado pelo FASPEC, com críticas ao governo, e convocou os servidores para o ato do dia 4 de fevereiro, às 9h, na Praça da Imprensa, reunindo sindicatos estaduais e municipais.
“Nada cai do céu. Esperar que um governador reconheça a situação e dê reajuste não resolve. Só a luta transforma a realidade”, afirmou, na frase que dá título à matéria.
A entrevista terminou com um chamado direto à categoria e à sociedade cearense: valorização do serviço público, respeito à data-base e mobilização permanente como caminho para garantir direitos.
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