No Democracia no Ar, Sandra Helena e Ângela Carrato analisam os silêncios da grande mídia e o papel da comunicação popular na disputa democrática
A edição do programa Democracia no Ar, transmitido pela Rádio e TV Atitude Popular, reuniu Sandra Helena e a jornalista e professora Ângela Carrato para discutir um tema central no cenário político atual: as notícias que não aparecem no noticiário tradicional — e o que esses silêncios revelam sobre o poder no Brasil. A mediação foi de Sara Goes.
O debate partiu de uma constatação incômoda: a grande mídia não apenas enquadra os fatos segundo determinados interesses, mas também seleciona estrategicamente aquilo que deve permanecer invisível. Ao longo da conversa, as convidadas analisaram critérios editoriais, interesses econômicos e a atuação dos principais telejornais do país, com destaque para o Jornal Nacional.
Professora da UFMG e pesquisadora da área de comunicação, Ângela Carrato lembrou que a concentração midiática no Brasil não é recente. Segundo ela, a estrutura de poder que controla a informação permanece praticamente intocada há décadas.
“Não é de agora que cinco famílias controlam o que a gente vê, assiste e lê. A capital da mídia corporativa brasileira não é Brasília, é Washington.”
Para Carrato, a cobertura política e econômica do terceiro mandato do presidente Lula escancara essa lógica. Ela afirma que, mesmo diante de indicadores positivos, a mídia evita reconhecer políticas públicas como responsáveis pelos resultados.
“Você vê o dólar caindo, a bolsa subindo, a inflação controlada, mas raramente se diz que isso é resultado de política pública.”
A professora também destacou que a invisibilização atinge especialmente programas sociais estruturantes, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Na avaliação dela, a ausência dessas pautas no noticiário contribui para apagar o papel do Estado na redução das desigualdades.
“Para o jovem chegar à universidade, ele precisa ter comido. E isso é política pública. Mas isso não aparece.”
Sandra Helena, que integra o segmento “A notícia que você não vê”, exibido mensalmente no programa, reforçou que a omissão é tão estratégica quanto a distorção.
“Não é só mentir ou manipular. É também esconder.”
Ao comentar a atuação do Jornal Nacional, Carrato defendeu que o telejornal funciona como porta-voz de interesses econômicos consolidados e que a figura do âncora não altera essa estrutura.
“Pode mudar o apresentador, mas não muda a função. O papel é servir aos interesses do grande capital nacional e internacional.”
Ela mencionou ainda o tratamento dado a temas sensíveis, como o plano de atentado contra autoridades brasileiras e a tentativa de golpe de Estado. Segundo a pesquisadora, esses episódios não receberam a dimensão proporcional à gravidade dos fatos.
“Imagina se fosse nos Estados Unidos um plano para assassinar o presidente e ministros da Suprema Corte. Aqui, a cobertura foi mínima.”
A conversa também abordou a atuação da mídia em relação à política internacional, especialmente no que diz respeito à América Latina e ao Oriente Médio. Para Carrato, há uma ausência sistemática de contextualização histórica quando o tema envolve países como Cuba ou Venezuela.
Outro ponto levantado foi o papel da comunicação popular e independente como contraponto à hegemonia informativa. Para as debatedoras, ampliar o direito à informação exige fortalecer rádios e TVs comunitárias, incentivar o letramento midiático e estimular a leitura crítica das notícias.
O programa destacou ainda que 2026, sendo ano eleitoral, tende a intensificar a disputa narrativa. Nesse cenário, a pluralidade de vozes e a vigilância crítica sobre a cobertura jornalística tornam-se ainda mais necessárias.
Ao final, as participantes defenderam que a democratização da comunicação é condição essencial para o aprofundamento democrático no país.
📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
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