Da Redação
Com tarifas de até 50% impostas pelos EUA, exportações de tilápia despencam e a indústria de pescado brasileira busca novos mercados e estratégias emergenciais para preservar empregos.
A indústria de pescado do Brasil enfrenta uma crise sem precedentes em razão das tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos, conhecidas como “tarifaço”. Com mais de 60% das exportações destinadas ao mercado americano, a queda é abrupta e ameaça empregos, produção e a própria continuidade do setor.
Segundo empresários do segmento, as exportações já caíram quase um terço desde o início da medida, e a expectativa é que as vendas aos EUA sejam zeradas, já que a taxação torna inviável a concorrência. A segunda maior exportadora de tilápia do país opera a partir de Rifaina, no interior de São Paulo: a Fider Pescados conta com cerca de 400 tanques que processam quase 10 mil toneladas por ano. Metade da produção, antes enviada aos EUA, agora busca espaço no mercado interno brasileiro — algo que demanda tempo, adaptação de preços e confiança de consumidores locais.
Além disso, o ciclo de produção da tilápia, que leva cerca de oito meses, obriga a continuidade das operações: mesmo com risco iminente, demissões imediatas não são previstas, pois a paralisação comprometeria a capacidade de abater e processar os peixes que já estão prontos. Ainda assim, o setor estima que até 20 mil empregos poderiam ser impactados se as condições não melhorarem.
Empresas como a Master Mares, com forte desempenho no mercado externo, veem sua sustentabilidade ameaçada. Com cerca de 40% do faturamento proveniente dos EUA, a imposição da tarifa torna a continuidade dos negócios inviável. O fechamento de mercados como o europeu, já em curso por normas sanitárias não atendidas, só agrava a situação — deixando poucos destinos alternativos e aumentando o poder de barganha de países asiáticos.
Estados mais dependentes das exportações de pescado, como Espírito Santo, também enfrentam alerta vermelho. Lá, praticamente toda a produção de pescados vai para os EUA, sem contar o impacto em outros produtos vulneráveis às tarifas. A resposta dos governos estaduais tem sido imediata: busca por linhas emergenciais de crédito, assinaturas de programas de apoio ao setor produtivo e negociações diplomáticas para mitigar os efeitos do tarifaço.
Em resumo, com a imposição das tarifas americanas, o setor de pescado no Brasil está em uma corrida contra o tempo: é preciso driblar obstáculos comerciais, preservar empregos e reverter o impacto econômico — tudo isso sem acesso ao mercado que era, até semanas atrás, o principal destino das exportações.


