Da Redação
Chuvas extremas provocam enchentes e deslizamentos devastadores em cidades como Juiz de Fora e Ubá, deixando dezenas de mortos, desaparecidos e milhares de desabrigados em uma das maiores tragédias recentes da região.
A Zona da Mata de Minas Gerais vive uma das maiores tragédias climáticas dos últimos anos. O número de mortos em decorrência dos temporais que atingem a região desde o dia 23 de fevereiro já chegou a 49, segundo balanços mais recentes das autoridades, com novos registros concentrados principalmente em Juiz de Fora, a cidade mais afetada pelo desastre .
As chuvas intensas provocaram uma combinação devastadora de enchentes e deslizamentos de terra, atingindo sobretudo os municípios de Juiz de Fora e Ubá. Somente nessas duas cidades, já haviam sido confirmadas dezenas de mortes nos primeiros dias do desastre, além de pelo menos 21 pessoas desaparecidas, indicando que o número de vítimas ainda pode aumentar .
O impacto humanitário é expressivo. Em Juiz de Fora, cerca de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas e outras centenas desalojadas, obrigadas a buscar abrigo com familiares ou em estruturas improvisadas. Em Ubá, também há dezenas de desabrigados e desalojados, enquanto municípios vizinhos, como Matias Barbosa, enfrentam alagamentos severos e colapso de serviços públicos .
A tragédia foi desencadeada por um volume excepcional de chuvas em um curto período de tempo. Em Juiz de Fora, fevereiro de 2026 já é considerado o mais chuvoso da história da cidade, com precipitações mais que o dobro da média esperada para o mês . Em apenas 48 horas, foram registrados volumes extremos de água, suficientes para provocar transbordamento de rios, soterramento de casas e isolamento de bairros inteiros .
O cenário geográfico da região agravou a situação. A Zona da Mata possui relevo acidentado, com ocupação urbana em encostas e áreas de risco, o que aumenta a vulnerabilidade a deslizamentos e enxurradas. Esse padrão, combinado com eventos climáticos cada vez mais intensos, tem transformado episódios de chuva em desastres de grande escala .
As equipes de resgate seguem atuando em condições extremamente difíceis, com buscas em áreas de soterramento e risco contínuo de novos deslizamentos. Bombeiros, Defesa Civil e voluntários trabalham para localizar desaparecidos e prestar assistência às famílias atingidas. Ao mesmo tempo, autoridades reforçam alertas para que moradores deixem áreas de risco diante da previsão de mais chuvas nos próximos dias .
O governo federal mobilizou equipes de saúde e defesa, enquanto autoridades estaduais e municipais decretaram estado de calamidade pública para acelerar a liberação de recursos e ações emergenciais. Ainda assim, moradores relatam sensação de abandono histórico e falta de infraestrutura preventiva, como contenção de encostas e sistemas de drenagem adequados .
A tragédia também reacende um debate estrutural. Eventos como esse têm se tornado mais frequentes no Brasil, especialmente durante o verão, período marcado por chuvas intensas. Especialistas apontam que a combinação entre mudanças climáticas, urbanização desordenada e ausência de políticas estruturais de prevenção amplia a recorrência e a gravidade desses desastres.
O que se vê na Zona da Mata não é apenas um episódio isolado, mas a expressão de uma vulnerabilidade histórica que se repete ano após ano. A diferença, desta vez, está na escala da destruição e no número de vidas perdidas, que colocam o episódio entre os mais graves da região na última década.


