Da Redação
Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo com o atual governo venezuelano para compartilhar receitas da venda de petróleo e ajudar a impulsionar a economia do país, em meio a um cenário de profunda mudança política e energética na América Latina.
No palco do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos e a Venezuela — sob a liderança do governo interino — chegaram a um acordo para dividir receitas relacionadas ao petróleo, um dos principais ativos econômicos de Caracas. A declaração foi feita durante um discurso em que Trump destacou a cooperação energética e econômica entre os dois países após os recentes eventos políticos que transformaram o panorama venezuelano.
Segundo Trump, parte das receitas geradas pela venda de petróleo, especialmente de um lote de milhões de barris que teriam sido disponibilizados para exportação e venda no mercado internacional, será compartilhada com as autoridades venezuelanas para fomentar a recuperação econômica do país e impulsionar investimentos internos. Ele afirmou que essa cooperação poderia permitir que a Venezuela “ganhe mais dinheiro nos próximos seis meses do que em décadas anteriores”, destacando a importância da produção de petróleo no contexto das transformações econômicas do país.
A declaração de Trump ocorre em um contexto de grandes mudanças na Venezuela, marcada por uma intervenção militar coordenada pelos EUA no início de janeiro de 2026, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e na ascensão de uma liderança interina. Em seguida, os Estados Unidos intensificaram seu controle sobre o setor petrolífero venezuelano e anunciaram planos de venda de volumes significativos de petróleo, parte dos quais seriam utilizados sob acordos de cooperação econômica com Caracas.
Trump ressaltou em Davos que a nova abordagem econômica busca reconstruir o setor de energia da Venezuela, que vinha sofrendo com décadas de declínio de produção devido à falta de investimentos e à gestão estatal ineficiente. A expectativa declarada por ele é de que o país recupere parte de sua capacidade produtiva e atraia investimentos, incluindo de grandes empresas petrolíferas, com parte das receitas petrolíferas revertidas em benefício da população venezuelana e do desenvolvimento econômico.
A proposta anunciada foi recebida com repercussão internacional variada: enquanto apoiadores da visão americana argumentam que a iniciativa pode estimular uma recuperação mais rápida da economia venezuelana e criar um clima de cooperação renovado entre Caracas e Washington, críticos observam que a divisão de receitas sob a influência direta ou indireta dos EUA levanta questões sobre soberania energética e econômica da Venezuela, além das implicações geopolíticas de uma aproximação tão profunda entre os dois governos.
A parceria em torno do petróleo representa não apenas uma potencial fonte de receitas para o governo venezuelano de transição, mas também uma reconfiguração nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina em um momento de mudanças aceleradas, com foco na energia como vetor central de políticas externas e estratégias econômicas.


