Da Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a demissão da governadora do Federal Reserve, Lisa Cook — a primeira mulher negra a ocupar a posição. A decisão despertou intensa reação de juristas e legisladores, que veem nela uma violação da independência do banco central e uma tentativa de interferência política na instituição.
Na noite de 25 de agosto de 2025, o presidente Donald Trump divulgou, por meio de uma carta pública, a demissão imediata da governadora do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook. Trump alegou ter “causa suficiente” para a ação — uma referência a supostas inconsistências em declarações relacionadas a contratos de hipoteca —, justificando que tal conduta compromete a confiança pública na governante.
Lisa Cook, entretanto, rejeitou veementemente a justificativa, destacando que o presidente não tem autoridade legal para demiti-la e que “não há causa prevista em lei” para tal decisão. Ela afirmou que continuará a exercer suas atribuições para proteger a economia americana. Seu advogado, Abbe Lowell, anunciou que pretende contestar a demissão judicialmente, afirmando que se trata de uma ação arbitrária sem respaldo legal.
A crítica à medida veio em peso por parte de figuras políticas e especialistas. A senadora Elizabeth Warren classificou o ato como um “extrapolamento autoritário que viola flagrantemente a Lei do Federal Reserve”, exigindo sua reversão. O senador líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, alertou que o presidente está brincando com a estabilidade econômica dos EUA ao tentar controlar o banco central. Especialistas econômicos advertem que essa interferência cria incertezas e pode elevar o custo da dívida pública.
A tentativa de destituir Cook ocorre em contexto de atritos constantes entre Trump e a liderança do Fed, especialmente diante da resistência da instituição em reduzir as taxas de juros conforme pressão política. Cook, destacada economista com histórico acadêmico em Harvard e Stanford, foi a primeira mulher negra a integrar o Conselho de Governadores do Fed, com mandato previsto até 2038. Sua saída abriria caminho para que Trump nomeasse aliados favoráveis a uma política monetária mais flexível.


