Da Redação
A Universidade Federal do Rio de Janeiro concede nesta terça-feira (7) o diploma póstumo de economista a Stuart Angel Jones, estudante da instituição sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura militar em 1971, aos 25 anos. A cerimônia será realizada às 16h30, no Salão Dourado da UFRJ, na Praia Vermelha.
Stuart cursava Economia e militava no Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8. Seu corpo nunca foi encontrado. A busca por verdade e justiça marcou a trajetória de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que denunciou internacionalmente o desaparecimento do filho. A luta pela memória de Stuart segue também pela atuação de sua irmã, a jornalista Hildegard Angel.
O pedido de diplomação póstuma foi feito conjuntamente por Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel, do Instituto de Economia da UFRJ.
“Hoje, temos a missão e a honra de transmitir para a minha geração, para os que estão entrando no IE, o legado desse jovem, que foi meu antecessor, estudou nas mesmas cadeiras e salas que eu, no Palácio Universitário”, afirmou Lucas Duda. “A requisição que fizemos é para que a justiça seja feita 55 anos depois, não só para o Stuart, mas para todos. Que seus nomes sigam sendo lembrados nos próximos 50 anos!”, completou.
Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, Stuart Angel simboliza a luta pela democracia e por justiça social. “Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, afirmou.
Em 2019, o Estado brasileiro retificou o atestado de óbito de Stuart Angel. O documento passou a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964.
A entrega do diploma póstumo pela UFRJ não repara a violência sofrida por Stuart e sua família, mas reafirma publicamente a responsabilidade de preservar a memória das vítimas da ditadura. Também inscreve, no espaço universitário onde ele estudou, o reconhecimento de uma vida interrompida pela repressão política.






