Atitude Popular

“Um Congresso que trabalha contra o povo”

No Café com Democracia, Ernesto Luz aponta a PEC 32, a desoneração dos super-ricos e o avanço da terceirização como eixos do ataque aos direitos trabalhistas

O Café com Democracia recebeu Ernesto Luz, secretário de mobilização e relações com os movimentos populares da CUT-CE, para destrinchar “os grandes desafios da classe trabalhadora”. Em entrevista conduzida por Luiz Regadas, o dirigente sindical defendeu redução da jornada sem corte salarial, taxação de grandes fortunas e um Estado forte para proteger serviços públicos e os trabalhadores. “É um Congresso que não dialoga com as pautas de interesse popular, um Congresso que trabalha contra o povo”, afirmou.

A matéria toma por base a conversa exibida pela TV Atitude Popular no programa Café com Democracia. As declarações a seguir foram colhidas da entrevista original com Ernesto Luz, que detalhou a estratégia da CUT e avaliou o cenário político-econômico atual.

Jornada, renda e quem paga a conta

Ernesto abriu a conversa com a agenda imediata: “Redução de jornada de trabalho, sem redução de salários, e taxação de grandes fortunas”. Para ele, a combinação é condição para recompor renda e financiar políticas sociais: “Se os mais ricos não contribuem, você gera um desequilíbrio que prejudica educação, saúde, previdência”.

O dirigente recordou que a correção do Imposto de Renda para isentos até R$ 5 mil andou, mas medidas para tributar super-ricos e lucros e dividendos emperraram no Legislativo. “O Centrão preferiu proteger interesses bilionários e o setor de apostas, em vez de garantir recursos para quem mais precisa”, criticou.

PEC 32: estabilidade em risco e serviço público vulnerável

Eixo central da mobilização sindical, a reforma administrativa (PEC 32) foi classificada como um ataque estrutural: “A proposta enfraquece a estabilidade, amplia a terceirização e a privatização do que é público, reduz direitos”. Ernesto citou um exemplo didático do valor da estabilidade: “Quem barrou a entrada das ‘joias’ foi um servidor com fé pública — ele defende o Estado, não o governo”.

A mensagem política para o Parlamento veio sem rodeios: “Quem votar a favor da reforma administrativa não voltará para o mandato”.

Como atua a CUT

Ernesto explicou o “como” da pressão: articulação nacional entre sindicatos de diversas categorias, atos de rua, campanhas digitais e abordagens organizadas em aeroportos e bases eleitorais. “A central fortalece pautas unificadas e mobiliza para que sejam vistas e atendidas”, disse. O objetivo é manter a temperatura social elevada até 2026, quando a CUT promete “denunciar todos os parlamentares que votam contra o povo”.

Pequenos negócios não são o inimigo

Ao responder sobre o impacto da jornada reduzida, o dirigente diferenciou o pequeno do grande empresário: “Nem todo empresário é bilionário. O Estado forte precisa amparar quem mais emprega — os pequenos — para que a transição não pese só sobre eles”. Para Ernesto, a tributação progressiva é o caminho para proteger empregos e ampliar direitos.

Dignidade como horizonte

Em diálogo com a agenda social defendida pelo governo federal, Ernesto resumiu a lógica econômica da inclusão: “O que nós queremos é garantir o mínimo de dignidade”. E emendou: “Colocar o pobre no orçamento faz o dinheiro retornar para a economia — indústria, comércio e serviços”. No plano simbólico, repetiu o mote: “Nós queremos só dignidade”.

17ª Plenária da CUT: organização e homenagem

O entrevistado confirmou o início da 17ª Plenária Estatutária da CUT em São Paulo, com participação presencial e virtual de dirigentes do Ceará. “É uma plenária fechada, representativa, para debater os temas mais relevantes da classe trabalhadora”, explicou. O encontro homenageia João Batista Gomes (Joãozinho), liderança sindical falecida em abril: “Estará sempre presente nas construções em prol da classe”.

O que está em jogo

Da pauta tributária ao serviço público, passando pela jornada e pela regulação do trabalho, Ernesto Luz voltou ao ponto de partida: “Sem colocar o pobre no orçamento, você amplia a miséria”. Na arena política, o recado foi claro: a CUT seguirá mobilizando, com pressão social contínua, para que o Parlamento responda ao interesse público — e não ao lobby.


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