Governo de São Paulo afirma que imagens não confirmam abordagem irregular; Haddad contesta versão e mantém relato de acompanhamento policial após evento
Da Redação
A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo abriu uma apuração sobre a suposta perseguição e intimidação policial relatada por Fernando Haddad (PT) e por seu motorista. O episódio teria ocorrido depois que o ex-ministro da Fazenda foi deixado em sua residência, na zona sul da capital paulista, após participar de um evento.
Segundo o relato apresentado pela equipe de Haddad, uma viatura da Polícia Militar teria acompanhado o veículo por parte do trajeto. O motorista, ao perceber a movimentação, procurou um local com câmeras de segurança e questionou os policiais sobre o motivo do acompanhamento. De acordo com seu advogado, teria ouvido dos agentes a ordem: “Vaza daqui”.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo contesta a versão. Uma apuração preliminar da Polícia Militar analisou imagens de dezenas de câmeras privadas ao longo do percurso e informou não ter encontrado, até o momento, registros que confirmem abordagem, perseguição ou interação irregular entre policiais e o motorista.
Motorista relata acompanhamento após deixar Haddad
Haddad afirmou que o motorista percebeu uma viatura depois de deixá-lo em casa. Segundo seu relato, os policiais teriam direcionado luzes para o automóvel e acompanhado o veículo de maneira considerada incomum durante o trajeto.
O advogado Hélio Silveira, que representa Haddad, afirmou que o motorista ficou assustado e procurou um local onde houvesse câmeras de segurança. Ao tentar saber por que estava sendo acompanhado, teria recebido dos policiais a ordem para deixar o local, acompanhada da expressão “vaza daqui”.
Haddad também relatou que os policiais estavam armados com fuzis e disse que o motorista ficou abalado com a ocorrência. Para o ex-ministro, as circunstâncias não correspondiam a uma abordagem policial comum e precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Governo de São Paulo nega perseguição
A Secretaria da Segurança Pública apresentou uma versão diferente. Segundo a pasta, a Polícia Militar analisou imagens obtidas ao longo do percurso descrito e não encontrou elementos suficientes para confirmar a perseguição relatada.
A apuração preliminar também teria encontrado divergências entre partes do relato e as imagens disponíveis. A SSP informou que continua reunindo registros e verificando a atuação das equipes policiais que estavam na região naquela noite.
Apesar da contestação pública, a própria Polícia Militar instaurou procedimento para investigar o episódio. Caso sejam encontrados indícios de irregularidade praticada pelos agentes, a apuração poderá avançar para outras medidas administrativas ou criminais.
Haddad rebate versão da SSP
Haddad manteve seu relato depois da manifestação do governo paulista. Ele questionou a explicação apresentada pela Secretaria da Segurança Pública e defendeu que sejam esclarecidas a presença das viaturas nas proximidades de sua residência e as circunstâncias do acompanhamento do motorista.
O secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou inicialmente que o episódio poderia ter resultado de um mal-entendido e disse não ter identificado indícios de motivação política. A investigação administrativa permanece aberta para verificar o que ocorreu.
Com versões divergentes, a apuração terá de confrontar os depoimentos do motorista e dos policiais com imagens de segurança, registros das viaturas e demais informações disponíveis sobre o deslocamento.
Procuradoria Eleitoral entra no caso
A controvérsia também chegou à Procuradoria Regional Eleitoral, que decidiu apurar a denúncia de possível intimidação. O órgão requisitou informações às autoridades estaduais para verificar as circunstâncias da atuação policial.
A participação da Procuradoria acrescenta uma dimensão eleitoral ao episódio, já que Haddad disputa o Governo de São Paulo. A investigação deverá determinar se houve uma ocorrência policial regular, algum tipo de excesso ou comportamento capaz de caracterizar intimidação contra o candidato ou integrantes de sua equipe.
Até agora, nenhuma dessas hipóteses foi estabelecida de forma definitiva. Haddad e seu motorista sustentam que houve acompanhamento intimidatório, enquanto o governo estadual afirma que as imagens analisadas não confirmam a versão apresentada.
Alimentos ficam 0,67% mais baratos em julho
Enquanto Haddad inicia a campanha pelo Governo de São Paulo após deixar o Ministério da Fazenda, os dados mais recentes do IBGE registraram uma redução importante nos preços dos alimentos. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% em julho e contribuiu para conter o IPCA no mês.
A alimentação dentro de casa apresentou redução ainda maior, de 1,14%. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído. Em alguns desses itens, principalmente hortaliças e tubérculos, a maior oferta decorrente do período de colheita contribuiu para a redução dos preços.
A alimentação fora de casa seguiu direção diferente e registrou alta de 0,55%. A energia elétrica residencial também pressionou o orçamento das famílias, com avanço de 3,09% no mês.
Mesmo com essas altas, o IPCA avançou apenas 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% registrados em junho. No acumulado de 2026, a inflação chegou a 3,44%, enquanto o índice dos últimos 12 meses ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% observados anteriormente.
Os indicadores econômicos chegam ao período eleitoral depois da passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda e devem aparecer na disputa paulista, especialmente no debate sobre inflação, renda e custo dos alimentos.






