Da Redação
Em telefonema com o presidente Lula, o líder chinês Xi Jinping afirmou que o foco da China em um desenvolvimento de “alta qualidade” e em abertura econômica de alto nível criará novas oportunidades para ampliar a cooperação bilateral com o Brasil, fortalecendo laços em diversas áreas e em meio a um cenário internacional turbulento.
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que o progresso do “desenvolvimento de alta qualidade” de seu país, sustentado por uma estratégia de abertura econômica em alto nível, deverá gerar novas oportunidades de cooperação com o Brasil — um parceiro estratégico fundamental na América do Sul e no Sul Global. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em meio a um contexto global marcado por turbulências geopolíticas e desafios econômicos.
Xi ressaltou que, em 2024, os dois líderes elevaram as relações entre China e Brasil para o nível de uma “comunidade com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e mais sustentável”, um conceito que tem guiado os esforços de alinhamento estratégico entre os dois países. Ele destacou que o desenvolvimento de alta qualidade — que envolve inovação, modernização econômica e integração internacional — tem impulsionado o aprofundamento dessa parceria e pode servir de base para expandir cooperação em setores diversos.
Segundo Xi, o início do período do 15º Plano Quinquenal da China marca uma fase em que o país pretende avançar em uma abertura ainda mais ampla, criando condições para cooperação bilateral mais ampla e profunda. Ele afirmou que isso pode resultar em iniciativas conjuntas que beneficiem tanto a China quanto o Brasil, com foco em áreas de interesse mútuo, como comércio, investimentos, tecnologia, infraestrutura e energia.
O presidente chinês também enquadrou essa perspectiva dentro de uma leitura mais ampla do cenário internacional, no qual Brasil e China — ambos considerados importantes países do Sul Global — podem atuar como forças construtivas para manter paz, estabilidade e governança global. Ele defendeu que os dois países devem permanecer firmes na defesa dos interesses comuns, apoiar o papel central das Nações Unidas e promover justiça e equidade no sistema internacional.
Do lado brasileiro, Lula enfatizou que as relações com a China são estruturais para a política externa do Brasil e que a cooperação entre os dois países é vital em um momento em que o mundo enfrenta desafios como tensões comerciais, conflitos e mudanças nas cadeias de comércio global. A parceria com a China, segundo a perspectiva brasileira, combina interesses econômicos robustos com uma visão compartilhada de multilateralismo e desenvolvimento sustentável.
A cooperação entre Brasil e China já se estende por décadas, com forte presença no comércio bilateral — a China é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil — e com projetos de investimento e intercâmbio em ciência, tecnologia e infraestrutura. A mensagem de Xi aponta para a continuidade dessa trajetória e para a intenção de ampliar ainda mais esse relacionamento, alinhando-o a prioridades econômicas e geopolíticas compartilhadas.
Em termos práticos, a ênfase no desenvolvimento de alta qualidade pode significar novos pactos estratégicos e projetos conjuntos, incluindo a diversificação de investimentos, parcerias em setores de tecnologia avançada, cooperação em energia limpa e integração econômica que vá além das tradições comerciais, abrindo espaço para iniciativas inovadoras que reflitam a maturidade crescente das relações bilaterais.
A conversa entre Xi e Lula — que também abordou a importância de defender mecanismos multilaterais como a ONU frente a iniciativas paralelas — reflete um esforço coordenado de ambos os países para fortalecer a cooperação Sul-Sul e ampliar a voz de economias em desenvolvimento na arena internacional, em particular num momento em que desafios globais exigem respostas compartilhadas e cadeias de parcerias ampliadas.






