Em entrevista ao Café com Democracia, advogado avalia que mobilização nas ruas, engajamento digital e diálogo com eleitores indecisos podem definir o segundo turno entre o Presidente Lula e Flávio Bolsonaro
A mobilização popular, o engajamento nas redes sociais e o diálogo direto com eleitores indecisos podem ser determinantes para a reeleição do Presidente Lula. Essa é a avaliação do advogado Marcelo Uchôa, convidado do programa Café com Democracia, da Rádio e TV Atitude Popular, na manhã desta sexta-feira, 23 de outubro. Em conversa com o apresentador Luiz Regadas, Uchôa analisou os fatores que, em sua avaliação, podem definir o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, dia 25.
Durante a entrevista, o advogado demonstrou otimismo com o desempenho da campanha de Lula e destacou a necessidade de intensificar o trabalho político até o último momento. “O que pode definir é a continuidade daquilo que a gente vem fazendo desde que o segundo turno começou: engajamento nas redes e mobilização nas ruas”, afirmou. Ele também ressaltou a importância do contato direto com pessoas que não votaram no primeiro turno ou que escolheram outros candidatos, com o objetivo de reduzir a abstenção e ampliar o apoio ao atual presidente.
Uchôa avaliou que a campanha havia entrado em uma fase decisiva, na qual a mobilização popular poderia alterar o cenário eleitoral. “Eu tô muito otimista”, declarou, ao comentar a possibilidade de crescimento da votação de Lula nos últimos dias antes da eleição.
Mobilização em Fortaleza aumenta o otimismo da campanha
Um dos principais pontos da entrevista foi a manifestação realizada em Fortaleza na noite anterior. Marcelo Uchôa relatou que acompanhou o ato e descreveu a dimensão da mobilização como uma experiência marcante em sua trajetória política.
“Eu acompanho campanha aqui nesse estado e mobilização desde que eu me entendo por gente, desde que eu cheguei com a minha família depois da anistia, a partir das Diretas Já. Eu acho que eu estive em todos os movimentos de rua. Eu nunca vi um negócio assim tão impactante”, afirmou.
O advogado destacou a presença de jovens, estudantes universitários, trabalhadores e representantes de movimentos sindicais. Segundo seu relato, a participação de pessoas de diferentes segmentos sociais indicava uma mobilização que ultrapassava os grupos tradicionalmente identificados com a campanha petista.
Ele também ressaltou que o ato ocorreu em uma noite de quinta-feira, quando muitos participantes precisariam trabalhar no dia seguinte. Para Uchôa, a disposição dessas pessoas para comparecer à manifestação demonstrava o envolvimento de setores da sociedade com a disputa eleitoral.
Ao comparar a mobilização cearense com atos realizados em outras capitais, o advogado mencionou manifestações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Recife e Brasília. Na avaliação dele, a presença popular nas ruas reforçava a perspectiva de crescimento da campanha de Lula.
Uchôa fez, contudo, uma ressalva: embora considerasse o cenário favorável, afirmou que o resultado nacional ainda exigia atenção e trabalho político. A estratégia, segundo ele, deveria ser ampliar a vantagem eleitoral para evitar uma disputa apertada na apuração, como ocorreu no primeiro turno.
Trabalho de convencimento e redução da abstenção
Além dos atos públicos, Marcelo Uchôa apontou o trabalho individual de convencimento como uma das frentes centrais da campanha. Ele defendeu conversas com pessoas que deixaram de votar, eleitores indecisos e cidadãos que apoiaram outros candidatos na primeira etapa da eleição.
Na avaliação do advogado, a mobilização eleitoral precisava continuar nas ruas e nas redes sociais, mas também nas relações cotidianas, com explicações sobre os projetos políticos em disputa e suas consequências para o país.
Uchôa afirmou que o primeiro turno havia servido de alerta para os apoiadores de Lula, que, em sua avaliação, não poderiam subestimar a força do adversário. Para o segundo turno, defendeu maior empenho na campanha e uma atuação voltada à conquista de votos adicionais.
O advogado também citou a experiência política do Ceará com disputas decididas por viradas na reta final. Ao comparar o movimento das campanhas, resumiu sua avaliação com a frase que marcou a entrevista: “A nossa curva está subindo e a dele está descendo”. A declaração expressa sua leitura do momento eleitoral, e não uma confirmação independente de tendências de votação.
Advogado critica conduta de agentes públicos durante a campanha
A entrevista também abordou denúncias de intimidação política e manifestações atribuídas a agentes de segurança pública. Luiz Regadas exibiu trechos de vídeos que, segundo a apresentação do programa, mostrariam declarações de um secretário de Segurança do Maranhão contra apoiadores do PT.
Os apresentadores e o entrevistado criticaram o uso de cargos públicos para hostilizar adversários políticos. Uchôa mencionou episódios que, segundo ele, poderiam envolver abordagens e detenções ilegais de pessoas identificadas com o partido, com o objetivo de associar a militância a práticas criminosas.
O advogado classificou esse tipo de conduta como incompatível com a democracia e afirmou que a intimidação não deveria determinar a participação política dos cidadãos. A discussão recuperou também episódios históricos de violência e manipulação política em períodos eleitorais, incluindo o caso do sequestro de Abílio Diniz, em 1989, quando houve controvérsia em torno da associação de suspeitos ao PT.
Os relatos e as acusações apresentados durante o programa foram discutidos como parte da avaliação política dos participantes. A entrevista não apresentou, por si só, documentação suficiente para verificar de forma independente todos os episódios mencionados.
Transformações no Nordeste entram no debate eleitoral
Marcelo Uchôa dedicou parte significativa da entrevista às mudanças sociais e econômicas que, em sua avaliação, ocorreram no Nordeste nas últimas décadas. Ele recordou as condições de pobreza enfrentadas por famílias do interior do Ceará durante sua infância, mencionando a falta de acesso regular à água, à eletricidade, à educação e ao trabalho.
Ao fazer esse retrospecto, o advogado relacionou a transformação das condições de vida na região à ampliação de políticas públicas e de investimentos federais, com destaque para os governos do Presidente Lula.
Entre as iniciativas citadas estavam o Fome Zero, a transposição do rio São Francisco, a construção de cisternas, os investimentos em infraestrutura, o apoio à agricultura familiar, o Minha Casa, Minha Vida, a expansão das universidades e dos institutos federais, o Mais Médicos, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a Farmácia Popular e o Brasil Sorridente.
Uchôa também mencionou investimentos industriais e em infraestrutura portuária, além de iniciativas relacionadas à geração de empregos e ao desenvolvimento regional. Na sua avaliação, essas políticas contribuíram para ampliar as oportunidades e reduzir a necessidade de migração motivada exclusivamente pela falta de condições de sobrevivência.
“Hoje você não precisa mais sair do Nordeste para sobreviver”, afirmou. Ele acrescentou que a região reúne possibilidades de desenvolvimento em áreas como indústria, energias renováveis, educação e empregabilidade.
O advogado relacionou a presença de jovens e trabalhadores na manifestação de Fortaleza à memória dessas transformações. Em sua interpretação, parte da mobilização expressava o reconhecimento de políticas públicas que tiveram impacto sobre a vida de famílias nordestinas.
Dois projetos de país em confronto
Ao abordar a escolha presidencial, Marcelo Uchôa apresentou a disputa como um confronto entre projetos distintos de país. De um lado, colocou a continuidade das políticas sociais, dos investimentos públicos e de uma política externa voltada à autonomia brasileira. De outro, criticou o que considera a orientação da extrema direita e a prioridade dada à família Bolsonaro.
O advogado argumentou que o Presidente Lula tem um histórico de políticas públicas que pode ser apresentado aos eleitores, enquanto criticou a atuação parlamentar e as propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro. Essas avaliações foram feitas pelo entrevistado no contexto de sua defesa da reeleição de Lula.
Uchôa também criticou declarações e posicionamentos que, segundo ele, indicariam disposição para enfraquecer o Sistema Único de Saúde (SUS) ou ampliar a participação privada na prestação de serviços públicos. Ao tratar do tema, defendeu a saúde como direito garantido constitucionalmente e ressaltou a importância do fortalecimento do sistema público.
A conversa abordou ainda a diferença entre a defesa de políticas universais e propostas que, na avaliação do advogado, poderiam restringir o acesso da população a serviços essenciais. O SUS, lembrou o debate, tem suas bases na Constituição Federal de 1988 e foi regulamentado pelas leis orgânicas da saúde, em 1990, após décadas de mobilização do movimento da reforma sanitária.
Acusações contra Flávio Bolsonaro exigem apuração
Durante a entrevista, Marcelo Uchôa também mencionou acusações relacionadas aos negócios de Flávio Bolsonaro e ao setor de apostas eletrônicas. O advogado afirmou que o senador seria sócio oculto de uma empresa de apostas que, segundo sua alegação, teria relação com operações de lavagem de dinheiro.
As declarações foram apresentadas pelo entrevistado como parte de suas críticas ao adversário de Lula. No entanto, a entrevista não trouxe documentação comprobatória suficiente para estabelecer essas alegações como fatos confirmados. Eventuais responsabilidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.
Uchôa defendeu que as suspeitas sejam investigadas e criticou o que considera contradições entre o discurso público de adversários do Presidente Lula e suas próprias condutas. Também citou outros episódios controversos associados à família Bolsonaro, incluindo o filme Dark Horse, mencionado brevemente durante a conversa.
O advogado sustentou que o debate eleitoral deveria levar em conta não apenas acusações dirigidas ao campo adversário, mas também o histórico e as propostas dos candidatos. Para ele, a tarefa de convencer eleitores indecisos exige apresentar informações e argumentos que permitam comparar os projetos em disputa.
Soberania nacional e política externa
A soberania brasileira foi outro tema importante da entrevista. Marcelo Uchôa defendeu a atuação internacional do Presidente Lula e afirmou que a política externa deveria preservar a autonomia do país diante das pressões das grandes potências.
O advogado citou as relações do Brasil com os Estados Unidos, a China e os países vizinhos da América do Sul. Em sua avaliação, o país deve buscar cooperação internacional e intercâmbio tecnológico sem abrir mão de seus interesses estratégicos.
Ao comentar as diferenças entre os projetos políticos em disputa, Uchôa associou a defesa da soberania à proteção das riquezas naturais, do petróleo e das florestas brasileiras. Também criticou manifestações de apoio a medidas de pressão econômica contra o Brasil e defendeu uma postura diplomática que preserve a capacidade de negociação do país.
Para o entrevistado, a reeleição de Lula teria repercussões que ultrapassariam a política interna, em um contexto de disputas geopolíticas e de avanço da extrema direita em diferentes países. Essa avaliação foi apresentada como parte de sua interpretação do cenário internacional.
Comunicação popular e participação política
Ao final do programa, Marcelo Uchôa elogiou o trabalho da Atitude Popular e a atuação de Luiz Regadas na comunicação independente. O advogado destacou a importância de veículos ligados aos movimentos sociais e de iniciativas que ampliam o acesso ao debate político.
Ele também incentivou os espectadores a buscar informações, consultar fontes diversas e examinar os argumentos apresentados durante a campanha. A orientação dialogou com o apelo dos apresentadores para que a mobilização nas redes sociais fosse acompanhada de conversas presenciais e participação eleitoral.
A entrevista terminou com uma convocação para que os eleitores comparecessem às urnas no domingo, 25 de outubro. Uchôa reiterou seu otimismo com o resultado e afirmou que o trabalho político deveria continuar mesmo após a eleição, porque, em sua leitura, as disputas em torno da democracia e dos rumos do país não se encerrariam com a votação.
“Eu só não sei qual vai ser a margem da vitória, mas nós vamos vencer”, declarou.
A conversa foi exibida no Café com Democracia, programa apresentado por Luiz Regadas de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 8h, na Rádio e TV Atitude Popular. A edição integrou a cobertura eleitoral do veículo e antecedeu uma superlive especial dedicada às eleições de 2026.
Assista à entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=nt-d4lETIMU
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