Abstenção cai no segundo turno, e Ceará registra menor índice do país

A abstenção nas eleições presidenciais de 2026 caiu no segundo turno, realizado no domingo (25), e chegou a 19,22% no Brasil, o menor percentual para essa etapa desde 2006. No Ceará, o índice foi ainda menor: 13,89%, a menor taxa entre os estados brasileiros. Os dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No país, 30,5 milhões de eleitores aptos não compareceram às urnas no segundo turno, cerca de 3 milhões a menos que no primeiro, quando 33,4 milhões deixaram de votar. A abstenção nacional passou de 21,08% para 19,22%, uma redução de 1,86 ponto percentual.

No Ceará, a taxa caiu de 15,52% no primeiro turno para 13,89% no segundo. A mudança correspondeu ao comparecimento de 114.372 eleitores a mais em relação à primeira votação. O estado ficou 5,33 pontos percentuais abaixo da média nacional.

Mobilização para ampliar o comparecimento

A campanha do Presidente Lula incluiu entre suas prioridades a mobilização de eleitores que não haviam comparecido no primeiro turno. Após a votação de 4 de outubro, Lula pediu que os ausentes participassem da etapa decisiva, que definiu a disputa entre ele e Flávio Bolsonaro (PL).

No segundo turno, 17 estados e o Distrito Federal registraram aumento do comparecimento. O Espírito Santo teve a maior alta, de 3,9 pontos percentuais. Na outra ponta, estados da Região Norte apresentaram crescimento da abstenção, com os maiores índices no Acre, de 26,08%, e no Amapá, de 25,47%.

A redução nacional da abstenção foi a maior entre turnos desde a redemocratização, segundo levantamento baseado nos dados eleitorais. O resultado contraria a tendência histórica de crescimento das ausências na segunda etapa das eleições presidenciais.

No Ceará, o comparecimento de 86,11% do eleitorado consolidou o estado como o de maior participação proporcional no segundo turno de 2026.

Elmano prometeu mais de 70% dos votos para Lula no Ceará, mas resultado ficou abaixo da meta

Após ser reeleito governador do Ceará no primeiro turno, Elmano de Freitas (PT) prometeu ampliar a votação do Presidente Lula no estado para mais de 70% dos votos válidos no segundo turno. A meta foi repetida durante a campanha e reafirmada em 24 de outubro, durante uma transmissão ao vivo organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

“Agora no segundo turno a nossa meta é passar de 70% e nós vamos alcançar”, declarou Elmano na ocasião. O governador mobilizou aliados, prefeitos e lideranças políticas para ampliar o apoio a Lula e reduzir a abstenção.

O resultado ficou próximo, mas não atingiu o percentual anunciado. Lula recebeu 68,93% dos votos válidos no Ceará, totalizando 4.036.124 votos, contra 31,07% de Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 1.819.478 votos. No primeiro turno, o petista havia alcançado 63,29% dos votos válidos no estado, o que representa um crescimento de 5,64 pontos percentuais na etapa final.

Apesar de não alcançar a meta de 70%, Lula venceu nos 184 municípios cearenses e ampliou sua votação em 480.861 votos entre os dois turnos. O Ceará também registrou a menor taxa de abstenção do país no segundo turno, com 13,89% do eleitorado apto sem comparecer às urnas.