Como foi a sequência de decisões do STF e do TSE que prorrogou a votação até as 19h

A prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi resultado de pedidos apresentados pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, de uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de ajustes posteriores para definir como a ordem seria cumprida. A decisão foi anunciada quando o horário regular de encerramento das urnas já havia passado, o que provocou dificuldades de comunicação com as seções eleitorais.

O pedido da campanha de Lula foi motivado por relatos de redução da frota de ônibus em cidades de diferentes estados, o que teria dificultado o deslocamento de eleitores. A campanha acionou inicialmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, diante da ausência de uma decisão sobre o mérito até o fim do horário regular, recorreu ao STF.

A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a extensão do horário, mas restringiu o pedido a municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando prejuízos causados pelas condições climáticas.

Cronologia das decisões

Durante a tarde de domingo (25), a campanha de Lula pediu a prorrogação do horário em municípios da Bahia e, posteriormente, em outras unidades da Federação onde havia relatos de dificuldades no transporte público. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, solicitou informações sobre a situação, mas não havia decidido sobre o mérito do pedido até as 17h.

Por volta das 16h40, o PL acionou o TSE para pedir a extensão do horário em parte do Sul e do Sudeste, sob a justificativa de que as chuvas prejudicavam a votação.

Pouco antes das 17h, o ministro Cristiano Zanin recebeu a reclamação apresentada pelo PT ao STF e determinou a prorrogação da votação por duas horas, até as 19h, em todo o país.

Às 17h03, a decisão foi divulgada à imprensa, quando diversas seções já haviam encerrado a votação. Urnas eletrônicas que tiveram o procedimento de encerramento concluído não poderiam ser reabertas para receber novos votos.

Na sequência, Zanin esclareceu que a prorrogação deveria ser aplicada apenas nas seções que ainda não haviam fechado as urnas. Os votos das seções já encerradas deveriam ser computados normalmente.

Às 17h49, Kassio Nunes Marques determinou o cumprimento da decisão nesses termos. A totalização dos votos foi suspensa durante o impasse e retomada posteriormente.

E afinal, qual foi o impacto da prorrogação?

Dados divulgados após a eleição indicaram que 34.330 votos foram registrados depois das 17h, aproximadamente 0,03% do total. Um levantamento que considerou as urnas que permaneceram abertas após as 17h45 identificou 5.052 votos nessas condições, número usado como estimativa do impacto específico da extensão do horário.

O Presidente Lula venceu Flávio Bolsonaro por cerca de 4,43 milhões de votos. Os números indicam que os votos registrados após as 17h não seriam suficientes para alterar o resultado da eleição.

Flávio questionou a legitimidade do pleito e anunciou que pediria a anulação da votação, mas recuou da iniciativa judicial no dia seguinte. A controvérsia sobre a atuação dos tribunais e a comunicação das decisões permaneceu no debate político após a divulgação do resultado.