Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (3), durante cerimônia no Palácio do Planalto, que “não existe limite para investimentos em educação”. A declaração foi feita em evento de entregas simultâneas do governo federal nas áreas de educação, saúde e habitação, com destaque para a inauguração de dez novos campi da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. As unidades receberam investimentos de aproximadamente R$ 206,6 milhões, sendo R$ 196,5 milhões provenientes do Novo PAC.
Ao defender a expansão dos institutos federais, Lula afirmou que a educação precisa ser tratada como eixo central do desenvolvimento brasileiro. Para o presidente, o país só conseguirá dar um salto de qualidade se investir em escolas, professores, permanência estudantil, formação técnica e produção de conhecimento. “Não há outra possibilidade do Brasil dar um salto de qualidade que todo mundo sonha se a gente não colocar a educação como prioridade número 1 do nosso governo”, disse.
Durante o discurso, Lula citou programas como escolas de tempo integral, alfabetização na idade certa, Pé-de-Meia e bolsas para estudantes de alto desempenho no Enem que optem pela carreira docente. Segundo ele, essas políticas buscam combater a evasão escolar, valorizar a formação de professores e criar condições para que jovens permaneçam estudando. O presidente também afirmou que tem cobrado prefeitos para colaborarem com a expansão dos institutos, oferecendo terrenos ou prédios para instalação de novas unidades.
Os dez novos campi ficam em São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Piauí. Sete unidades pertencem ao Instituto Federal de São Paulo, uma ao Instituto Federal do Amazonas, uma ao Instituto Federal do Espírito Santo e uma ao Instituto Federal do Piauí. Juntas, as novas estruturas terão capacidade para ofertar 11,6 mil vagas em cursos técnicos e superiores, com salas de aula, laboratórios, bibliotecas, refeitórios, quadras e espaços de convivência.
A expansão integra um plano mais amplo do governo federal para fortalecer a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Ao todo, estão previstos R$ 4,3 bilhões para a construção de mais de cem novos campi, além de obras de melhoria, ampliação e consolidação de unidades já existentes. A estratégia busca interiorizar o ensino técnico e superior, aproximando formação profissional das necessidades econômicas e sociais de cada região.
Lula também relacionou educação, infraestrutura e desenvolvimento nacional. Ao citar a transposição do São Francisco e a Transnordestina, o presidente defendeu que obras públicas e investimentos sociais não sejam tratados apenas como despesa fiscal, mas como motores de emprego, renda, produtividade e integração regional. “Dinheiro bom não é dinheiro guardado, é dinheiro investido em obra, em educação, saúde, ferrovia, rodovia, hidrovia”, afirmou.
A frase mais política do discurso veio no encerramento da defesa da educação. Lula disse que, em seu governo, é proibido tratar recursos destinados ao setor como gasto. A fala sintetiza uma visão de Estado em que a educação pública aparece não como custo, mas como instrumento de soberania, desenvolvimento científico, inovação tecnológica e mobilidade social. Para o presidente, o Brasil já é grande exportador de soja, milho, açúcar, carne e outros produtos, mas só alcançará outro patamar quando se tornar também exportador de inteligência e conhecimento.
