Da Redação
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro após vazamentos envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse.
A eleição presidencial de 2026 começou a entrar numa nova fase política em Brasília. E o motivo não parece ser economia, inflação ou mesmo os tradicionais embates ideológicos entre lulismo e bolsonarismo.
O gatilho da mudança atende agora por outro nome:
Daniel Vorcaro.
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira mostra que Lula ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro justamente após a explosão do escândalo envolvendo o Banco Master, os áudios vazados e as negociações financeiras ligadas ao entorno bolsonarista.
Segundo o levantamento, Lula aparece com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno presidencial. A diferença representa uma mudança brutal em relação ao cenário de abril, quando os dois apareciam praticamente empatados dentro da margem de erro.
E talvez exista um detalhe ainda mais devastador para o bolsonarismo:
a queda aconteceu rapidamente.
A própria Atlas identificou que Flávio perdeu cerca de seis pontos após a repercussão nacional dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro.
Na política, isso é o equivalente a um desabamento estrutural.
Porque até poucas semanas atrás Flávio vinha sendo tratado como herdeiro relativamente viável do capital político do pai. O plano da direita era relativamente simples:
transformar o senador numa versão mais “institucional” do bolsonarismo,
menos explosiva que Jair Bolsonaro,
mais aceitável ao mercado
e capaz de preservar a máquina digital da extrema-direita sem carregar integralmente o desgaste do ex-presidente.
Então veio o “BolsoMaster”.
E junto dele apareceram:
os áudios,
os fundos no Texas,
o filme Dark Horse,
as mensagens sobre dinheiro nos Estados Unidos,
as negociações milionárias
e a sensação pública crescente de que o bolsonarismo mergulhou numa mistura explosiva de guerra cultural, operações financeiras nebulosas e internacionalização política do próprio movimento.
A pesquisa Atlas praticamente capturou o primeiro impacto dessa bomba política.
Segundo o levantamento, 51,7% dos entrevistados afirmam acreditar que Flávio Bolsonaro possui envolvimento com o caso Master após a divulgação das conversas com Vorcaro.
Esse talvez seja o dado mais perigoso para a extrema-direita.
Porque o bolsonarismo sempre dependeu profundamente de uma construção moralista.
A ideia central do movimento era simples:
“somos diferentes do sistema corrupto”.
Agora a imagem pública começa a apontar exatamente para o oposto:
banqueiro investigado,
fundos internacionais,
operações financeiras,
produção cinematográfica ideológica,
dinheiro circulando fora do país
e suspeitas envolvendo o entorno político da família Bolsonaro.
É praticamente a implosão do principal ativo simbólico construído desde 2018.
Enquanto isso, Lula aparece politicamente fortalecido.
E não apenas pela crise do adversário.
A Atlas também mostra crescimento da vantagem do presidente contra outros nomes da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Nos bastidores do Planalto, existe uma percepção cada vez mais forte:
o governo atravessou o pior momento político de 2025 e começa agora a entrar numa fase de recuperação.
A combinação parece relativamente clara:
melhora parcial dos indicadores econômicos,
expansão de programas sociais,
crédito popular,
viagens internacionais bem avaliadas
e colapso narrativo da oposição bolsonarista.
O problema para Flávio Bolsonaro é que a crise ainda parece longe do fim.
Investigadores da Polícia Federal avaliam que Daniel Vorcaro continua segurando informações importantes dentro da negociação de delação premiada. Outros envolvidos já começaram a negociar acordos próprios antes do banqueiro principal.
Ou seja:
Brasília inteira trabalha hoje com a hipótese de que novas revelações ainda podem surgir nas próximas semanas.
E isso produz um ambiente devastador para qualquer pré-candidatura presidencial.
Campanhas conseguem sobreviver a radicalismo ideológico.
O que costuma destruir projetos eleitorais é a sensação de hipocrisia pública.
Especialmente quando o discurso original era justamente combate à corrupção.
O levantamento Atlas também mostra outro dado simbólico:
47,4% dos brasileiros afirmam ter medo de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro, enquanto 40,5% dizem temer uma nova vitória de Lula.
Pela primeira vez em muitos meses, o bolsonarismo começa a enfrentar um problema que raramente experimentou desde 2018:
o medo público parece estar mudando de lado.
E talvez seja justamente isso que explique o clima de tensão crescente dentro da direita brasileira.
Porque o escândalo Vorcaro deixou de ser apenas caso policial.
Virou crise eleitoral.






