Manifestantes protestam contra Meta em São Paulo e cobram neutralidade nas eleições

Ato em frente à sede da empresa reuniu movimentos sociais e questionou possíveis restrições ao conteúdo político da campanha do Presidente Lula; professor Sérgio Amadeu alertou para riscos às aposentadorias, ao SUS e à universidade pública em um eventual governo de Flávio Bolsonaro

Da Redação

Manifestantes realizaram, na segunda-feira (19), um protesto em frente à sede da Meta, na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, contra o que consideram interferência da empresa nas eleições brasileiras. Com a palavra de ordem “Meta, não se meta”, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil cobraram transparência na moderação de conteúdos políticos e tratamento equilibrado entre as candidaturas do Presidente Lula e de Flávio Bolsonaro.

O ato ocorreu em meio à controvérsia sobre problemas técnicos e restrições que teriam afetado a conta de anúncios da campanha de Lula nas plataformas da empresa. Os manifestantes também questionaram a atuação dos sistemas de recomendação e a distribuição de conteúdo político em um momento decisivo da disputa eleitoral.

Os organizadores tentaram entregar um manifesto à empresa, mas não conseguiram formalizar o recebimento do documento durante a mobilização. A manifestação ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral determinar que a Meta apresentasse esclarecimentos sobre o tratamento dado às candidaturas, diante das reclamações relacionadas à atuação de suas plataformas.

A Meta reconheceu a ocorrência de problemas técnicos, mas negou que tenha agido para favorecer um candidato ou prejudicar outro. A empresa afirma que as falhas não decorreram de uma decisão deliberada de interferência política.

Sérgio Amadeu alerta para riscos sociais de um governo Bolsonaro

Durante a mobilização, o professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, relacionou a disputa eleitoral às consequências que, em sua avaliação, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia produzir sobre direitos sociais e serviços públicos. Pesquisador das implicações sociais da tecnologia, ele afirmou que sua preocupação também envolve a possibilidade de retrocessos nas aposentadorias, na saúde pública e na educação.

Amadeu contou que acumula mais de 13 anos de experiência como professor e que trabalhou na formação de milhares de estudantes, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero antes de ingressar na Universidade Federal do ABC. Ao defender a reeleição do Presidente Lula, argumentou que a manutenção de direitos conquistados está em jogo.

“Eu queria, depois de ter feito tanto trabalho, formado tanta gente, ter direito à dignidade. E esse direito está em risco”, afirmou, ao explicar sua decisão de participar do ato e pedir votos contra Flávio Bolsonaro.

O professor sustentou que a identificação política de Flávio com Donald Trump indica, em sua avaliação, uma orientação favorável a medidas que poderiam ameaçar a proteção social. Como exemplo, mencionou os ataques às aposentadorias que atribuiu ao governo Trump e alertou para a possibilidade de iniciativas semelhantes no Brasil. Trata-se da avaliação política apresentada por Amadeu durante a manifestação.

Defesa do SUS e da universidade pública

A saúde pública ocupou lugar central na fala do professor. Amadeu destacou o caráter universal do Sistema Único de Saúde e argumentou que o acesso ao atendimento médico não deve depender da capacidade financeira de cada pessoa.

“Se você passar mal, você vai ser atendido no SUS”, disse. Em seguida, criticou a possibilidade de o Brasil adotar um modelo semelhante ao dos Estados Unidos, onde, segundo ele, os custos médicos podem levar pacientes a contrair dívidas elevadas.

O professor também defendeu a preservação do acesso a medicamentos populares e da universidade pública, que classificou como fundamental para a produção científica nacional. Para ele, a defesa desses serviços precisa integrar a decisão eleitoral de quem considera a saúde, a educação e a previdência direitos essenciais.

Amadeu dirigiu um apelo também aos eleitores insatisfeitos com aspectos do atual governo. Na avaliação dele, eventuais críticas à gestão do Presidente Lula não devem levar ao abandono das conquistas sociais, mas servir de base para cobrar melhorias.

“Nós precisamos defender as nossas conquistas e nós precisamos pressionar para melhorar”, afirmou.

Escala 6×1 e trabalho por hora entram no alerta

Outro ponto levantado por Sérgio Amadeu foi o futuro das relações de trabalho. Ele associou a possibilidade de um governo de Flávio Bolsonaro à adoção de formas mais flexíveis de contratação, incluindo o trabalho remunerado por hora, e advertiu que isso poderia representar um retrocesso para os trabalhadores.

Na avaliação do professor, essa orientação também colocaria em risco as discussões sobre o fim da escala 6×1. A fala integra sua argumentação de que a escolha eleitoral terá consequências para a proteção previdenciária, os direitos trabalhistas e a capacidade do Estado de assegurar serviços públicos.

Ao concluir, Amadeu pediu que os eleitores apoiem o Presidente Lula no segundo turno. “Eu peço que você vote 13”, declarou, defendendo a continuidade das políticas sociais e a mobilização popular para aperfeiçoar o que considera necessário no atual governo.

Pressão sobre as plataformas digitais

O protesto contra a Meta amplia o debate sobre o papel das grandes empresas de tecnologia no processo eleitoral. A preocupação dos manifestantes é que decisões sobre anúncios, moderação, alcance e recomendação de conteúdos possam afetar a visibilidade das campanhas e, consequentemente, as condições de disputa entre candidatos.

O episódio também reforça a cobrança por critérios públicos, mecanismos de contestação e respostas verificáveis quando uma campanha relata falhas em suas contas ou restrições de conteúdo. Em uma eleição marcada pela centralidade das redes sociais, os manifestantes defendem que as plataformas prestem esclarecimentos sobre seus procedimentos e demonstrem tratamento isonômico.

A controvérsia ocorre poucos dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Para os participantes do ato, a transparência das plataformas e a preservação de condições equilibradas de comunicação são questões relevantes para a integridade do processo eleitoral.