Chanceler brasileiro recebeu congratulações de representantes de diversos países pela reeleição do presidente. Encontro com secretário de Estado norte-americano ocorreu em meio à tensão diplomática provocada pela entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi recebido com manifestações de apoio e congratulações de representantes de diversos países durante a reunião de chanceleres do G20, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos. O encontro, nos dias 30 e 31 de outubro, marcou a primeira agenda internacional do ministro após a vitória do presidente Lula nas eleições de 25 de outubro.
Segundo a Revista Fórum, representantes de pelo menos dez países cumprimentaram Vieira pela reeleição de Lula. Entre eles estavam integrantes das delegações da Turquia, China, União Europeia, Alemanha, França, Canadá, México, Índia, Reino Unido e Polônia. Um dos diplomatas classificou o resultado eleitoral como uma “virada espetacular”.
Durante a programação, Vieira também teve reuniões bilaterais com os chanceleres da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosław Sikorski. Os encontros trataram, entre outros assuntos, das relações comerciais e das negociações envolvendo o Mercosul.
Primeiro contato com Marco Rubio após a eleição
À margem da reunião, Mauro Vieira encontrou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante o coquetel de recepção às delegações, na noite de sexta-feira (30). A conversa foi breve, mas os dois combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula de líderes do G20, prevista para dezembro, em Miami.
O contato ocorreu em um momento delicado nas relações entre Brasília e Washington. Donald Trump não havia reconhecido formalmente a vitória de Lula e chegou a questionar, sem apresentar provas, a lisura do processo eleitoral brasileiro. O presidente norte-americano também autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, depois que o senador deixou o Brasil apesar de uma determinação judicial que o impedia de viajar.
A saída de Flávio e as circunstâncias de sua chegada aos Estados Unidos provocaram questionamentos de parlamentares democratas à administração Trump. O episódio acrescentou tensão ao primeiro contato entre os representantes das diplomacias brasileira e norte-americana depois da eleição.
Apesar do cenário, o Itamaraty mantém a perspectiva de diálogo com Washington. A reunião bilateral entre Vieira e Rubio deverá servir para tratar da agenda de interesses dos dois países antes do encontro de chefes de Estado do G20.
Lula retoma agenda internacional com COP31, Mercosul e G20
Após a vitória eleitoral, o presidente Lula também retomará as viagens internacionais. A programação prevista para novembro e dezembro inclui compromissos na Turquia, nas Filipinas, no Uruguai e nos Estados Unidos.
O primeiro compromisso será a COP31, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Antália, na Turquia, nos dias 11 e 12 de novembro. Lula também participará de atividades da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila, nas Filipinas, incluindo uma visita de Estado.
Em dezembro, o presidente estará na Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, nos dias 4 e 5. O encontro deverá reunir os países do bloco em meio às discussões sobre integração regional e negociações comerciais.
A agenda termina com a cúpula do G20, prevista para os dias 14 e 15 de dezembro, na Flórida, sob a presidência de Donald Trump. O evento poderá proporcionar o primeiro encontro presencial entre Lula e o presidente norte-americano após a reeleição brasileira.
Até o momento, não há confirmação de uma reunião bilateral entre os dois. A presença de ambos no encontro, porém, coloca a relação entre Brasil e Estados Unidos entre os temas de atenção da agenda diplomática de dezembro.
A retomada das viagens ocorre em um momento de reconhecimento internacional da vitória de Lula e de desafios nas relações com o governo Trump. A participação brasileira nas cúpulas também abre espaço para negociações sobre clima, comércio e cooperação internacional.
