Ministério da Justiça aciona PF para investigar ameaças contra deputada eleita Ana Elisa

Da Redação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e violência sexual contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos. A parlamentar denunciou ter recebido mensagens com conteúdo racista e misógino, além de referências a dados pessoais que poderiam ser usados para localizá-la e atingir seus familiares. O caso ganhou repercussão após a divulgação de ataques nas redes sociais e levou o governo federal a solicitar providências para identificar os responsáveis.

Segundo informações publicadas pelo UOL, o Ministério da Justiça também pediu medidas junto às plataformas X, antigo Twitter, e Meta, responsável pelo Instagram e Facebook. A pasta identificou indícios de uma campanha coordenada de ataques contra a deputada eleita, que precisou desativar temporariamente suas redes sociais diante da frequência das ameaças. A investigação deverá apurar a origem das mensagens, identificar seus autores e verificar se houve atuação organizada.

Ameaças incluem racismo e violência sexual

Ana Elisa relatou que recebeu e-mails com ameaças de morte e estupro durante o período eleitoral. Em uma das mensagens, o remetente teria se apresentado como integrante de um grupo supremacista branco e afirmado que não tolerava a presença de mulheres negras em espaços de poder. O conteúdo também mencionava informações pessoais da parlamentar e de seus familiares, aumentando a preocupação com sua segurança.

A denúncia foi registrada na Polícia Civil de Minas Gerais, inicialmente como ameaça e injúria racial. A equipe jurídica da parlamentar avalia que as mensagens podem configurar racismo e violência política de gênero, por tentarem intimidá-la em razão de sua identidade e de sua participação na vida pública. A classificação definitiva dos crimes dependerá da apuração policial e da análise das autoridades competentes.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Ana Elisa deverá contar com escolta ao retornar a Minas Gerais. A parlamentar afirmou que os ataques comprometeram sua segurança e a de pessoas próximas.

Ataques nas redes e disputa eleitoral

O caso também ganhou dimensão política depois que o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou uma publicação que atribuía a Ana Elisa a defesa do fechamento de igrejas. A deputada negou ter feito a declaração. A circulação do conteúdo provocou novos ataques nas redes sociais, e o Ministério da Justiça passou a investigar a possibilidade de que parte das manifestações estivesse inserida em uma ação coordenada.

Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.219 votos, aos 21 anos. Ela ganhou projeção durante a campanha de 2026 por sua atuação nas redes sociais e passou a integrar a estratégia digital da campanha do Presidente Lula para o segundo turno. A repercussão de suas publicações e a disputa em torno de sua imagem ampliaram sua exposição pública, mas não justificam ameaças ou violência.

A deputada eleita também informou que levará o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), buscando providências contra a divulgação de informações que considera falsas. O pedido deverá ser analisado no âmbito das medidas cabíveis à Justiça Eleitoral, sem substituir a investigação criminal sobre as ameaças.

Violência política contra mulheres

O caso ocorre em um cenário de aumento das denúncias de violência política contra mulheres. Dados citados pela imprensa a partir de registros do Tribunal Superior Eleitoral indicam crescimento expressivo desse tipo de violência entre 2022 e 2026. As ocorrências incluem ameaças, ataques digitais, exposição de dados pessoais e tentativas de intimidar mulheres que disputam ou exercem cargos públicos.

A abertura de inquérito pela Polícia Federal deverá esclarecer a autoria das mensagens e a eventual existência de uma rede organizada de intimidação. Até que a investigação avance, as ameaças relatadas pela parlamentar constituem denúncias graves que precisam ser apuradas, sem antecipar conclusões sobre a identidade dos responsáveis ou a participação de terceiros.